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Yesterday – ou Os Ovos Mexidos da Venezuela



O brutamontes Hugo Chávez cometeu mais um atentado contra a democracia ao fechar o principal canal de TV do ex-país dele. Mas não quero falar disso, não. Ou quero? Não sei. Ando feliz demais para falar em tragédias, e Chávez parece ser uma tragédia com sotaque espanhol.


Eu acho melhor falar dos 40 anos do disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Também não? Eles lhe dão sono? Asmática! Isso deve ser preguiça. Não querer ouvir os rapazes de Liverpool, que, ainda sexagenários, continuarão moçoilos sempre, é grave sintoma de preguiça. Vai ter com as formigas, minha senhora!


Vou mandar para você, via Correio ou via Láctea, a bela canção “She’s Leaving Home”. Não vou mandar, é muito melancólica; conta a história duma menina que fugiu de casa. Hoje não tem espaço para a tristeza aqui neste pedaço de céu. Juro que o Chávez não me sai da cabeça, mas resistirei firme até o fim do texto e das ideias.


Já sei. Não sei. Tem a “When a Sixty Four”, aquela que o Paul fala “quando eu tiver 64 anos” etc. Vamos pensar: se Hugozito tiver 64 invernos, e já que a expectativa de vida na Veneza de ruela é de 68 anos, logo eles terão apenas mais 4 anos de tirania. Mas, por que diabos eu estou preocupado com venezuelanos? Eu não posso fazer como Alberto Caieiro e ficar preocupado só com minha aldeia? É que os problemas dos outros, como a parreira do vizinho, são mais saborosos que os nossos, então toca de eu importar problemas para comentar aqui.


“Fixing a Hole”. Algo como “arrumar um buraco”, mas não tem nada de “buraco” aí, exceto aquele onde estão metidos os amigos lá do lado do lado do lado que é lá. Paul é um sacana. "Fixing a hole" virou gíria para “achar uma veia”, uma homenagem à heroína que não é nenhuma do cinema --- você hein, Paul? “Dês tá”, como dizia minha vó, que era fã dos Beatles sem saber: “Let it be”.


Lógico que você, apesar do sono, vai me perguntar: e Lucy in the Sky? Ora, está no céu com os diamantes. Mas, de tudo, apesar de toda a coleção de chaveiros do mal que andam por aí, nada como uma “A Day in the Life”; começa assim: “Ele diz que leu os jornais hoje/ sobre um homem que tem muita sorte [seria o Hugo?]/ ele viu a foto, o homem estourou os miolos". Epa! Eu não disse que não teria tristeza aqui? Se bem que, se os miolos estourados ficarem assim, com aspecto de molho, e se for um molho de chaves... Eca. Outro trocadilho imprestável. E fim!




Escrito por Alex Menezes, às 22h54.


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