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Um Amor de Jumenta


Veja como são as coisas neste Animal Planet da vida real. Um cidadão com nome de um santo oficioso (Cícero) foi assassinado de um modo indigno e quase anedótico, porque hilário. Seu apelido nos arredores da cidadela de Patos, na Paraíba, é também de interesse crônico: Zeca Batalhão. Nada a ver com o Zeca Cervejeiro, advirto.


Que fez Zeca para causar a abreviatura da vida na flor dos 20 anos de idade? Tentou seduzir uma jumenta. Isso de manter romance com bichos é costume antigo, ouvi dizer. Mas ser morto assim, de forma tão passional, é que é a novidade. A jumenta, com nome de vaca improfana (Mimosa), desferiu no seu amante um violento coice que atingiu seus testículos, detalhe este que lhe causou morte quase instantânea. Imagine a dor que precedeu a passagem desta para... melhor? --- ando em dúvida.


Zeca era conhecido nas quadradezas daquela região por manter relações sexuais com o animal que o dizimou. O crime (?) foi cometido nas traseiras da igreja onde o moço trabalhava, e é curioso observar que, quando a polícia chegou ao local, ele estava sem camisa e com as calças arriadas. Mimosa estava devidamente amarrada, porém zelosa da sua retaguarda.


A morbidez do caso não me desperta lances de humor, porque o bizarro não apenas bizarra, mas também acanha. Zeca, corajoso amante, não contou que a jumenta pudesse ter sentimentos, e sentimentos feminis, que são sempre em alto grau de apuração, seja em que espécie for. O fato de ser notório o romance entre ambos, e apenas NESTA ocasião a moça se rebelar, é que encafifa e lança espessa nuvem sobre o caso. Teria ela descoberto um caso extrajumental? Estaria ela sob o efeito da regra mensal que inviabiliza a prática do sexo, ou o amante lhe negara um filho outrora prometido? Difícil conclusão. Cefaleia também está na lista de possibilidades.


Morto, Zeca não poderá colaborar com as investigações, tanto menos Mimosa que, arrependida do jumenticídio (!), se verá obrigada, se não for condenada a virar carne de charque, a contrair núpcias com machos de sua própria espécie, porque macho nenhum da espécie do Zeca, e daquela outra que fala e escreve, vai querer se engraçar (creio eu) com uma viúva dona dum coice e dum ressentimento tão violentos assim.




Escrito por Alex Menezes, às 23h31.


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