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Produto Brutal


Há quem coloque, na hierarquia da comunicação, as letras acima dos números. Números têm mais habilidade de comunicação do que letras. O algoritmo explica com didática o inexplicável em uma linha; a letra carece de embromação, filosofia e celulose abundante.


O PIB mundial em 2006 foi de 48 trilhões de dólares para uma linha ainda ascendente. Dividido entre os 6 bilhões de gentes, daria cerca de 9 mil dólares para cada terráqueo. O PIB é o número feito de letras mais cruel do mundo:


EUA: População: 300 milhões, PIB: 13,3 trilhões de dólares.


Japão: População: 127 milhões, PIB: 5,0 trilhões de dólares.


Alemanha: População 82 milhões, PIB: 3,0 trilhões de dólares.


509 milhões de pessoas controlam quase 50% da riqueza produzida anualmente no mundo; os outros 50% é dividido entre 5,5 bilhões de pessoas. Quer mais crueldade? Os 3 homens mais ricos do mundo controlam uma fortuna maior do que o PIB de 48 países membros da ONU.


Esse é o nosso mundo. Cerca de 2,5 bilhões de pessoas vivem com menos de 2 dólares por dia. 800 milhões não têm acesso a água potável.


Os números só perdem para a realidade, sobretudo a de quem sofre os efeitos dessa acachapante vergonha chamada distribuição de riqueza. O modelo econômico adotado na maioria dos países ocidentais pode ser o vilão da crueza desses números, mas não é. É predisposição humana acumular e não dividir. Mas isso também é uma meia-verdade: os EUA enviam anualmente, a título de ajuda humanitária, perigosos 30 bilhões de dólares para a África, dissolvidos, mor parte, na chaga da corrupção que assola esse continente miserável --- comparado a nós, é apenas uma espécie de Brasil maior.


São números. Números são frios e não aceitam cabresto nem filosofices. São crus. Crus como a cizânia dos homens.




Escrito por Alex Menezes, às 22h18.


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