• ABM

Palavra e Utopia


O curioso filme “Palavra e Utopia”, uma produção brasileira, francesa e portuguesa, resvala num tema caro aos que se dispõem à exegese bíblica ou mesmo secular: a função dos grandes impérios e o que representa suas ascensões e quedas. É fascinante, perturbador e polêmico:


O profeta judeu Daniel, que viveu no século 6 a.C., teve a visão duma enorme estátua: a cabeça era de ouro, o peito de prata, o dorso de bronze, as coxas de cobre e os pés de ferro, misturados com argila modelada. A representação da estátua são os sete impérios que dominaram e dominarão o mundo até o advento do Armagedom, a grande guerra de Deus contra as nações, segundo perspectiva bíblica. Eis as representações dos elementos:


Ouro: Império da Babilônia (ou Mesopotâmia), a partir de 607 a.C.


Prata: Medo-Persa, a partir de 539 a.C.


Bronze: Grécia, a partir de 331 a.C. (vitória de Alexandre Magno em Gaugamela, sobre Dario III).


Cobre: Roma, a partir de 30 a.C. (vitória de Roma sobre a dinastia macedônia que governava o Egito com Cleópatra VII).


Ferro: Império Anglo-Americano, a partir de 1763 d.C., até hoje.


Os quatro anteriores impérios mantinham uma certa “coesão”, pela pureza dos elementos, ao passo que este “último império”, o atual, é fragmentário, posto a argila e o ferro não se unirem jamais. É assombroso. Quem acompanha o desenrolar da história humana consegue visualizar a ascensão e queda de cada um dos impérios. A vinda da potência anglo-americana, predita na bíblia com espantoso acerto, é uma mostra quase inequívoca de que o profeta Daniel de fato estava sob inspiração divina quando escreveu aquilo.


Saindo de Daniel e indo para o livro de Revelação (Apocalipse, em grego), vê-se este último império numa verdadeira cruzada contra as religiões do mundo. Segundo esta peculiar interpretação do texto de João, “a meretriz” (a religião falsa) comete fornicação com “os reis da terra” --- que são os governos, também representados como “feras” (o símbolo da China é o dragão; do EUA, águia; da Rússia, urso; da Inglaterra, leão). Diz o texto: “(...) e os dez chifres que vistes, e a fera, estes odiarão a meretriz e a farão devastada e nua, e comerão as suas carnes, e a queimarão no fogo” (Rev. 17:15,16).


A julgar pelo que vemos atualmente, o recrudescimento do ódio do ocidente pelo Islã (e vice-versa) e o próprio Islã sendo visto com reserva pelos governos dos países árabes (que tem perdido dinheiro e influência por conta do fanatismo); o desespero se dá porque o petróleo, maior fonte de riqueza desses emirados, além de escassear, está sendo paulatinamente trocado por alternativas de energias “limpas” (nada à toa a agenda do etanol...); 80% das guerras atuais têm cunho religioso, e isto tem desestabilizado governos como nunca se viu na história a partir do século passado.


Com tal cenário, não é necessário ser um místico religioso para perceber que é só uma questão de tempo para que os governos mundiais (capitaneados pelo EUA) lancem uma cruzada moderna para dizimar as grandes religiões, fato este que causará desdobramentos imprevisíveis e espetaculares, mas que forçosamente irá ocorrer.


Naturalmente, tudo é uma simples questão de interpretação; não obstante, chamo atenção para o fato de todas as grandes religiões do mundo estarem envolvidas com governos políticos, tendo até alguns dos seus membros como políticos profissionais, o que é uma relação deveras perigosa, para não dizer obscena. A bíblia também alerta para a perspectiva de que todas as grandes religiões se juntarão, formando um bloco que rivalizaria com o Estado; uma espécie de ânsia de recuperar a hegemonia perdida em algum momento da Idade Média.


Pode-se perceber os primeiros acordes dessa união: o papa João Paulo II visitou um templo ortodoxo na Rússia; Bento XVI uma mesquita na Turquia; há 50 anos, isso seria impensável. Existe nos bastidores um arranjo de sincretismo religioso como nunca se viu: se a Igreja Anglicana, aquela do rei Henrique VIII, o matador de esposas, reatar com Roma, acender-se-á o sinal de alerta.


Se sentindo ameaçado com essa nova potência, os governos não vacilarão em tomar medidas drásticas para conter essa nova e arrasadora força “multi-credos”, e, a partir daí, tudo será imprevisão e terror --- seria esta a hora de Deus, enfim, agir? Quem viver, verá.




Escrito por Alex Menezes, às 00h00.


Posts recentes

Ver tudo

O Culto