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O Cheiro da Casa do Pedrinho


“Parece cocaína/mas é só tristeza”


Tem um garoto irritante, que aparece num reclame de TV, que só quer fazer cocô na casa do Pedrinho. Eu quero descobrir o que há na casa do Pedrinho. Talvez haja uma irmã do Pedrinho; oxalá que seja a Pedrita, a carinha repleta de sardas, os peitinhos de pitomba, como diz o poeta, uma Maria-chiquinha adornando seus cabelos irrequietos, sapeca feito ela, doces lambuzando sua boca itinerante.


Parece cocaína, mas é só tragédia.


O garoto que quer a casa do Pedrinho é o subproduto da nossa falta de noção periférica. Ele é aquela venda que veda os olhos dos cavalos, cujo nome não faço ideia qual seja. Ele é o irmão trapaceiro do presidente Lula. É também a favela onde deveriam morar os filhos do presidente do Senado. É um Marcos Valério com cabelo infantil e solto; ele é o Zuleido Veras sem bigode, sua empreiteira é a voz da mamãe que deve levá-lo para defecar na casa do Pedrinho. Ele também é incorpóreo: ele é as operações da Polícia Federal, seus nomes pomposos; eficaz para a mídia, ineficaz para os fatos; os ladravazes logo presos, logo soltos, amparados na norma jurídica que normatiza o oficio de ladrão.


Quem dera fosse só cocaína.


Também quero ir à casa do Pedrinho, mas não em busca duma Pedrita sardenta para me aliviar da solidão patriótica em que me encontro; nem irei a cata dum banheiro com aroma balsâmico para corromper a insuportável fedentina tupiniquim. Nada disso. O que quero é encontrar um oásis fecal para espalhar a essência dele em canta átrio das Casas Legislativas, Executivas e Judiciárias do Distrito Federal. O fedor da corrupção atulha as narinas apenas dos miseráveis.


Já que comecei com ele, termino com ele: “Vamos comemorar o horror de tudo isso com festa, velório e caixão”.




Escrito por Alex Menezes, às 23h33.


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