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Mister Barack Lewis Obama Hamilton

O piloto inglês Lewis Hamilton e o senador norte-americano Barack Obama são dois dos mais interessantes ícones deste início de milênio. Lewis, ao se tornar o primeiro campeão negro da Fórmula 1, universo predominantemente dominado pela casta branca que controla o mundo, e o senador, que neste já histórico 4 de novembro pode se tornar o primeiro negro a ocupar o maior cargo político desde César.


Seria este um sinal de que a história passará a ser escrita também pelos negros? Pode ser. A importância de ambas conquistas refletirá imediatamente nas entranhas do conservadorismo mundial; abalará as relações internacionais de modo a pincelar uma nova paisagem nas percepções inter-raciais.


A torcida em todos os continentes para que Obama ocupe a Casa Branca é sintoma insofismável da necessidade de mudança; fato mais espetacular se pensarmos que, a menos de um século (60 anos), um negro cidadão dos EUA não podia sequer votar, que dirá pleitear a cadeira de presidente, um delírio.


Obama vencendo, contra os meus prognósticos, trará ao mundo não uma chama do “novo”, a saber que um presidente é hoje uma figura muito mais simbólica, uma vez que, diferentemente do que ocorria há vinte, trinta anos, quando o poder era absolutamente centralizado, hoje o viés da Economia – cuja essência escapa até de especialistas – é quem dita o rumo e o plano de governo de um presidente, são os tecnocratas dos Bancos Centrais os verdadeiros protagonistas do teatro planetário; são mais importantes do que reis, mais imprescindíveis do que governantes.


Obama vencendo trará um alento e um sinal vermelho: deixarão, os reacionários radicais, os fundamentalistas de gabinete, Obama governar e, pior, continuar a viver? Teorema difícil. A própria eleição, dado o franco favoritismo do mulato, correrá grande risco se acaso não se confirmar o que dizem as pesquisas e o otimismo, correndo grave risco de incendiar o país em caso de derrota, as acusações de fraude já a pairar no ar da maior democracia do mundo...


Se ele não ganhar, periga de uma instabilidade assolar as beiradas da nação, imensamente fragilizada pela controversa administração republicana e pelo caos do sistema financeiro.


Se Obama não vencer, há fumaças de que a excelência tecnológica, econômica, científica, militar e cultural norte-americana começará a declinar, deixando um vácuo perigoso para aventureiros. Roguemos por uma vitória de Obama. Sua eleição, além de simbólica, será uma espécie de redenção, de acertos de contas com o futuro, que planeja muita dureza e calamidade de toda casta.





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