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Milan, 4 de julho

Em Roma, sê romano; pedia um escravo, talvez Fredo, o sábio escravo de César. Não se há necessidade de ser milanês em Milano.


As ruas de Milão exalam a magnificência de sua história; a arquitetura mesclando medieval e clássico, passando por lampejos de moderno, revive um aspecto abandonado por arquitetos brasileiros: o uso de madeira e vidro, que achei curioso porque ousado.


Os transeuntes milaneses são os mesmos de São Paulo; vestem-se iguais, andam com aquela pressa cadenciada que as forçam à condição europeia como um recado de que é matriz; no mais, tudo é igual, a indiferença mútua que deve caracterizar todas as atuais civilizações do mundo.


Ao andar em toa pelas estreitas ruas do centro, leio com fulgor; SANTA MARIA DELLE GRAZE, por Atena, se recuasse 560 anos no tempo, poderia encontrar Da Vinci e seus asseclas a perambular por aquelas mesmas ruas, nas tabernas, a fiar sua existência. A dois passos dali, estava seu famoso afresco da última ceia, percepção equivocada do artista para a última refeição do Cristo, mas compensada pela alta octanagem de tensão e estresse daquele instantâneo medieval. Não pude entrar, estava fechado, e só dali a uma semana seria aberta a visita, ao custo de 8 euros.


No hotel, nos arredores da cidade, sentei para o café da manhã, e uma família me encantou pela improbabilidade: uma mulher loira loira loira, um homem negro negro negro, os cabelos a desafiar a gravidade porque caídos, e os quatro filhos dessa mistura, únicos entre si, o que reforça o caráter cosmopolita da cidade, que já foi o maior centro comercial da Europa.


A natureza dos prédios públicos, de uma conservação comovente, revela que estou noutro país; o Palácios dos Sforza, importante família mecenas de artistas, parece ter sido feito semana passada, e já conta séculos. O bonde que divide espaço com uma frota insuperável de carros (pelas cores) nos faz voltar 100 anos num piscar.


Outro detalhe curioso é a violência com que tantos carros europeus digladiam-se para se destacar em meio ao movimento --- Fiats 500 e Minis são febris.


Amanhã relatarei os aspectos museolós da cidade, até.

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