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Um deus Chamado Caos

Fico espantadíssimo com o enorme destaque dado ao caos nos sistema aéreo brasileiro. Não, você não entendeu: fico espantadíssimo não com o caos, o país é um caos normalmente, o que me causa espécie é ver que todos os meios de comunicação dão um destaque estratosférico ao problema. Como se APENAS esse problema existisse.


Lógico, o prejuízo é enorme e o aborrecimento causado idem. Houve até um caso de um garoto que não pôde ter o fígado transplantado por força do atraso nos vôos. O que é diacrítico é o fato de que esse caos (gosto da palavra “caos”, remonta a um deus grego, mas aí é outra história) afeta a elite ou a “a zelite” como querem os humoristas sem plantão. Daí a grita infrene.


Fico a imaginar se todos os meios de comunicação lançassem esforços para reclamar da falta de escolas, de hospitais, de favelas em crescimento exponencial. Eu queria ver todo dia essa cena: o Alexandre Garcia (igual fez no aeroporto de Brasília, ao vivo para o Bom Dia Brasil) às costas uma paisagem de favela, reclamar que um ser humano não pode viver assim. Quero a Fátima Bernardes TODOS OS DIAS na porta de uma escola na Cidade Tiradentes denunciando a falta de professores e os bancos quebrados. Todos os dias. Até me cansar a beleza que não tenho. Quero a Glória Maria, seu vestido Versace, em pé no PS de um hospital no interior do Piauí, pacientes morrendo sem conta-gotas, reclamar, esbravejar, dizer que é um absurdo, que seu vestido lindo e caro não pode ver uma cena dessas e se manchar de sangue?...!


Meu país (cada vez acho que eu sou mais dele do que ele de mim) tem dessas distorções, dessas violências. As estradas, onde circula, sei lá, 50% do PIB, cai aos pedaços e não vejo barulho, mobilização, claro, o chefe das Fátimas, dos Alexandres e das Glórias não usa essa via terrestre para se locomover. Ladrões e agentes alfadegários.


Todas as instâncias de poder do Brasil são corruptas. Juízes outorgam seus próprios aumentos salariais. Artistas se locupletam do poder para mamar nas tetas gordas do Estado. Aquele tal de Gugu Liberato usa o nome de uma facção criminosa para ganhar mais Ibope. Árbitros de futebol vendem resultados. Os meios de comunicação (todo ele) tem uma relação promíscua com o governo.


Esses são alguns dos “reis” que reinam sobre a plebe inculta do nosso (?) país, devoradores, aves de rapina, comedores da carniça da nossa falta de iniciativa para reverter a miséria em que se encontra o Brasil. Quando vier a notícia de que o “rei” morreu, nada mais direi além disso: “O rei morreu? Viva o rei!”





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