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Sofonisba Anguissola


Sofonisba Anguissola (1531/1625), como? Nunca ouviu falar dela? Ah, nunca ouviu porque mulheres pintoras na Renascença era mais difícil de achar do que ver língua de formiga, ou orelha de freira. Ou um mau poeta em silêncio. A mulher era espetacular. Esbarrei em sua magia na minha constante procura pelo inesperado.


Vê essa tela aí? Não é um autorretrato normal; ela pinta-se como para PROVAR que ela mesmo pintava e não um homem. Há uma cena de uma comédia norte-americana que uma mulher faz serviços de marcenaria. Precisa se disfarçar de homem, para obter credibilidade. O marido ia junto executar os serviços, cena da antologia do machismo, o cliente diz: "parece que ouvi o som de uma mulher medindo...".


Voltemos à tecelã do pincel.


Ela é uma espécie de heroína da causa, porque revolucionária, não precisou "queimar sutiã" (mesmo porque ele é uma invenção do fim do 19, início do 20), sua atitude e gênio artístico falavam mais alto do que qualquer protesto.


Tem ainda uma outra moça Artemisia Gentileschi (1593/1656) de talento superior à da primeira (o grande Vasari chegou a dizer que "as pinturas dela só faltavam falar", quiçá Michelangelo tenha-lhe copiado no famoso "Parla!"que disse quando terminou de esculpir seu Davi). Ela foi estuprada no ateliê onde era aprendiz. Seu caso foi levado ao tribunal, e o juiz obrigou a menina a se expor a exames ginecológicos públicos, para provar que fora violada.


A artista não arrefeceu, não se deixou intimidar. Foi à luta. São minhas duas heroínas da causa pelo direito de não querer ser superior a homem nenhum, mas de ser o que é: mulher.


Quadro 1 Sofonisba, Quadro 2 Artemisia

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