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Lucien Freud




Há alguma beleza no rosto da rainha Elisabeth que Lucien Freud deliberadamente destruiu. O neto do famoso psicanalista era um pintor bem distante do convencionalismo. Em vez de realçar a realidade, simplesmente a tornava mais real, com toda crueldade imposta pelos fatos e fardos que a vida impõe a nós, mortais. Sob o peso do diadema imperial, a rainha está feia, sisuda, com veios de carranca. Talvez ele tenha pintado a monarca, não a mulher. O poder verga fácil até o vigoroso semblante de uma mulher poderosa como a super rainha dos britânicos.


A visceralidade adotada por Freud em suas telas tem a magia de descarnar o humano, por mais envelopado em trajes que esteja; o pintor usa seu pincel metafísico para retirar as camadas da nossa casca e com isso revela a criatura frágil escondia neste invólucro.

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