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Henry Tanner


Observo esse quadro magnífico de Henry Tanner (1859-1937) e me levo a uma penca de questionamentos; vejo a Virgem Maria, prestes a perder a inviolabilidade e ganhar a eternidade, indiferente à presença do anjo que vem-lhe anunciar seu grande destino: ser a mãe do Salvador da Humanidade (Alexandrós, Alexandre, em grego).


Com um panejamento grosseiro que reflete a condição social da jovem judia, sua pele é sua chita/seu fustão, e o casebre de pedra (tekton, tradução aliás caótica, já que significa pedra/pedreiro, talvez a verdadeira profissão de Jesus e não o carpinteiro tradicional).


O anjo de Tanner não aparece deslumbrante e belo, como os querubins que guardavam o Éden no pós queda e ricamente adornados com músculos e terror por pintores militantes; antes, é um anjo meio fantasmagórico, mais parecido com um alien de Steven Spielberg, uma desfigura, como quem enxerga e precisa entender o surreal.


É um dos mais intrigantes momentos da liturgia cristã que, penso, o pintor norte-americano soube captar melhor do que qualquer europeu, porque há uma impulso natural ao sobrenatural, e Maria, tinha mesmo de fazer essa cara chocha, isso lá era hora de incomodar uma virgem em pleno sono....

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