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Que Pena Brasil!



....Brasil, meu Brasil brasileiro, meu mulato exonero...


Ao detectar que os filmes de maior sucesso do Brasil são aqueles em que o herói/protagonista/tema circulam pelo submundo do crime é um sinal temerário. Um mau sinal. Do mesmo modo que os britânicos se comprazem com a família real, nós nos comprazemos com a miséria produzida nos morros e favelas deste país-continente. Sendo necessária a produção de heróis para embalar e camuflar nossa tibieza e falta de noção de realidade. A TV Mackenzie, canal provavelmente visto apenas por quem o produz, numa matéria sobre o Brasil, levou às ruas uma foto do Zé Carioca, símbolo primaz da malandragem nacional, e outra do empresário Antonio Ermírio, signo de sucesso e trabalho. O repórter perguntou aos transeuntes com quem mais se identificavam os brasileiros: 84% apontou o Sr. Antônio.


É claro que os entrevistados mentiram. O empresário era o que eles gostariam de ser, o malandro nonsense, artífice na arte do “jeitinho” é o que necessariamente são. O brasileiro é o maior camaleão do mundo. Sob a máscara de povo hospitaleiro, feliz, alegre, festeiro e outros epítetos circenses é que ele planeia um modo de manter-se escondido, como uma lagarta por sob folhas. Sempre se diz que o suíço é “meticuloso”, que o alemão é “inteligente”, que o russo é “sóbrio” (mesmo alcoolizado), que o japonês é “trabalhador”. O brasileiro é só “um povo feliz”.


O custo naturalmente é alto. Uma nação é conhecida pelos “heróis” que cultua. No Brasil os heróis são cancerigenamente degradantes como as bandas de axé, apresentadores de TV, atrizes e artistas descerebrados. Não pode ser levado a sério um país que leva 50 mil náufragos da existência para prestigiar um show de pagode, outros milhares para performances de funk. Para não fazer crer que a asserção é feita por horror ao que é popular (que é diferente de popularesco) um herói genuíno que é ator principal de uma manifestação popularíssima, Mané Garrincha, morto há 25 anos no dia 21 de janeiro, sequer é resenhado pelos grandes jornais do país.


A debilidade do estado de coisas é claramente mostrada num índice: desde que passou a ser monitorado em 1979, os homicídios no Brasil atingiram o cabalístico número de 1 milhão. 1 milhão, senhores compatriotas. 27 mil assassinatos por ano em média. O pico foi em 2003, com 51 mil homicídios. Nem Angola com 15 anos de guerra civil atingiu tal índice. A culpa é do Silvio Santos. A culpa é da Banda Calypso. A culpa é da Xuxa. A culpa é da Ivete Sangalo. A culpa é do Xororó e Chitaozinho. A culpa é da Sandy e do Júnior. A culpa é da Regina Duarte. Todos eles, do alto de suas fortunas e fama inabaláveis, têm sangue nas mãos. Prendê-los imediatamente talvez não resolvesse, mas já seria o início da solução.


Nenhum político pode ser responsabilizado por esse volume de mortes, o povo não sabe o que são políticos, suas funções, atribuições, responsabilidades. O povo não sabe que um ministro foi indicado para uma pasta (Minas e Energia) que não faz a mais vaga do que é uma simples tomada, problema menor, a saber que o nome de sua família está envolta em negócios espúrios, como é a regra. O povo sabe com quem Juliana Paes se deitou na semana passada ou se um artista é gay ou cheirador de cocaína. Quem dirige o povo é a mídia, então, pelo princípio aristotélico, os midiaticos têm de ser responsabilizados.


Num episodio dos Simpsons, um gerente contratado para supervisionar Homer Simpson na usina onde este trabalha decretou: “É praticamente um milagre que você ainda continue vivo”, após constatar o grau de estupidez da personagem símbolo da mediocridade norte-americana. É um milagre que ainda possamos nos equilibrar vivos em meio a tanta tragédia. A propaganda estatal diz que o melhor do Brasil é o brasileiro. Outro engodo. Povoado por macacos-pregos o país sairia muito melhor na aldeia global. O primitivismo do Brasil é o maior de todos os desafios a se vencer.


...Isso aqui ô ô/ é um pouquinho de Brasil ai ai...





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