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Obrigado, Michael

Acabou. O esporte se despediu de Michael na tarde deste domingo 21/10. Enorme Michael. Esse alemão queixudo, dono de um focinho apropriado para uma boa caricatura, é dessas raridades que apenas tempos adiante nos damos conta de que estávamos presenciando um momento histórico.



Algumas coisas macularam a carreira deste grande piloto; trapaças, jogo sujo nos bastidores da F1, falta de ética para com os companheiros de equipe, etc. Tão raro quanto seu talento é existir um herói sem máculas, porque o herói é uma invenção humana.



Mas nada “maculou” mais sua carreira do que um detalhe gigante que, em tese, diminuiu sua grandeza: a falta de um rival à altura do seu talento. Um rival para Michael. Aquiles x Heitor. O súbito desaparecimento de Ayrton Senna naquele fatídico 1º de maio de 1994 nos privou de um dos maiores duelos da história. Machado x Eça.


Sim obstante, a falta de um gênio igual a ele não o embruteceu: o fez superar a superação. “Não tenho adversário? Não faz mal, criarei um particular para mim.”. Deve ter dito ele de si para si nalgum momento da sua vida. Michael x Recordes.



Aníbal x Roma. O recorde foi o seu maior adversário. Ele esmagou todas as marcas, pulverizou todos os números possíveis da sua categoria. O adversário invisível é o pior e mais cruel dos adversários: EUA x Terrorismo.



Bjög Borg x Mc Enroe. Gênio sobre rodas, Michael combinava sua técnica refinada com uma frieza em alta temperatura. Sem contar a sorte que o acompanhou nos autódromos mundo afora. Gênios carecem de sorte: Churchil x Hitler.



Dick Vigarista. A famosa personagem dos desenhos animados batizou também o alemão pelas suas atitudes pouco ortodoxas e nada nobres. Competição e nobreza é casamento impossível. Vargas x Prestes.



Sem ele em ação nas pistas, os amantes desse esporte brutal ficarão algo carentes. Lembro que quando Ayrton se foi, um leitor de uma revista encaminhou a seguinte carta sobre o tricampeão: “Quando ele guiava um F1, parecia que Deus estava brincando de autorama”. Parece que com Senna, Deus fazia os treinos livres e com Michael os Grandes Prêmios.


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