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O Tântalo de Assereto



Gioacchino Assereto (1599-1649) - pintor do barroco italiano, criou grandes imagens dos poderosos de plantão da História e da mitologia. O suplício de Tântalo representa, para mim, uma perfeita captação sensorial da agonia do semi-deus que, a exemplo de Prometeu, foi punido pelos burocratas do Olimpo por ter feito fofoca dos deuses para os homens.


No tormento, ele foi condenado à sede e à fome eternas. Tântalo, foi amarrado a um rio; quando se inclinava para beber a água, o rio baixava; acima da sua cabeça uma árvore cheia de frutos subia sempre que ele ia em busca da fruta: um tormento e tanto.


Repare no torso potente e exposto: é quase tridimensional. A perícia do artista no uso das luzes num primeiro plano estonteante e difícil de administrar; a agonia transcende em vivíssima dor porque igualada a ela está a solidão do martírio. Capta-se com tanta eloquência a psicologia do padecente heroi, que dá-nos ganas de estender as mãos como para salvá-lo: é o poder da arte em infligir em nós a dor que nem exite mas está dentro de nós.



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