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O Casamento Industrial

Não são raros os momentos em que ficamos, ao vermos uma injustiça sendo cometida com a anuência da Justiça, desolados, à deriva no mar tempestuoso do inconsolo.


O ex-beatle James Paul Mc Cartney foi vitimado pela ex-esposa, Healther Mills. Se Shakespeare a conhecesse faria dela uma boa personagem. Pensou numa bruxa? Errou. Talvez uma árvore, uma cadeira, um ralo de banheiro.


Eu aprecio o espetáculo, mas tenho ressalvas ao espetacular.


A mulher abocanhou no processo de divórcio do astro da música nada menos que 88 milhões de unidades de dinheiro que seja lá em que moeda for, faz volume. Não é o montante que causa espécie; sir Paul é riquíssimo, um dos mais do Reino Unido, unido? Os irlandeses não devem achar o mesmo, enfim, ao tema: a perfídia é o que incomoda. Uma coisa é a mulher receber a indenização devida pelo fim do enlace; outra é enriquecer com o desastre da união.


No Brasil, dois casos rumorosos ganharam espaço; um foi um caso de uma super pensão de 400 mil reais/mês que um juiz obrigou um ex-marido abastado pagar à antiga esposa e atual inimiga, o outro, por ferir nosso bolso, foi do filho de Paulo Maluf, aquele mesmo, condenado a pagar exatos 217 mil reais à ex-consorte. Similia similibus curentur.


A justificativa do juiz que prolatou a sentença obrigando o sujeito a pagar os soberbos 400 mil reais é que a mulher deveria manter “seu status social”, status que o marido lhe dera enquanto casados estavam. O Direito é uma ciência só menos estranha que a Econômica.


Proíbe-se, no ordenamento jurídico duas espécies de enriquecimento, o sem causa e o ilícito. Cada caso é um caso, por óbvio. Todavia, se estiver patente que o patrimônio do casal antecede o casamento, porque deve-se pagar valores exorbitantes a maridos e esposas?


Fazer desses casamentos uma indústria da riqueza parece ser a tônica de alguns casórios suspeitíssimos. Gostaria de saber porque me detenho nesse assunto insosso. Não sou milionário, não irei casar com nenhuma milionária. Suspeito que isto seja efeito das coisas que ando comendo em casa; muito Sucrilhos no jantar, iogurte no almoço, chocolates de madrugada. A solução para eu melhorar os temas ou o melhor desenvolvimento deles talvez esteja no casamento, preço excessivo, concordo; enquanto ele não vem, contentem-se com esses temas fraquinhos, fraquinhos, mais fracos do que caldo de batata.





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