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Lula, Geraldo e o Asno de Buridan

Sinceramente, prefiro falar sobre o Cebolinha. Barata que tem atitude de barata ou juízas que não têm atitudes de juízas, mas fui instado por alguns abnegados leitores a falar sobre a eleição presidencial e como diz a hit parede da pátria inanimada, “erguendo da justiça um porrete forte, verás que um filho dela não foge à encrenca...”; Deus me proteja e vamos lá.



A polarização entre Geraldo e Lula é enganosa, pois não há polarização alguma. Ambos são candidatos* igualíssímos. Nem irei entrar no mérito de que Lula deveria estar, com sua barba grisalha contido, entre grades. Não que Geraldo não faça jus a uma temporada numa presiganga; não. Tudo é questão de investigar.


Lula fez tanta lambança no poder, mas tanta, que mesmo se ele fosse meu pai seria difícil defendê-lo; cercou-se de bandoleiros de gravata, gente da pior espécie, dirceus, pallocis; me dá náuseas citar-lhes os nomes. Não obstante, manteve a “austeridade” fiscal. Fez a mantenedura do status quo. Afagou entes nocivos da nação como especuladores e banqueiros. O que Lula não sabia era que os ricos não perdoariam se ele se locupletasse do poder para cometer ilícitos como o PSDB cometeu como o escândalo da reeleição, o caso escabroso Marka e Fonte Cindan, quem lembra de Salvatore Cacciola? (1 bilhão de reais!) e as privatizações que faz das trapalhadas petistas brincadeira de criança.



Outro pecado do PT foi o de não se contentar apenas com os cofres públicos; eles atentaram contra as instituições democráticas e isso não é um pecado venial. É gravíssimo.



Frise-se que o PSDB, por tibieza ou culpa, não descobriu nenhum dos escândalos petistas; todos eles foram engendrados e depois, com porta-vozes competentes, divulgados pelos habilidosos petistas.



Roberto Pompeu de Toledo, um dos mais lúcidos ensaístas do país, escreveu certa vez sobre os universitários que pedem dinheiro no trânsito quando passam no vestibular. Os motoristas olham-nos condescendentes a dizer, “olha aí, um igual, um filho meu, vou dar-lhe um dinheirinho para a cervejinha ou o energético da moda”.



Vendo o PSDB e Fernando Henrique (de que eu pessoalmente gosto, enquanto sociólogo e ateu), cometer ilícitos em série, a sociedade protetora dos ladrões, fez vista grossa, a Globo mal falou, os grandes jornais faziam editoriais com juristas explicando “que não era bem assim”.



Mesmo com a pretensa e pedida ajuda de Deus, me sinto mal em falar de política num país que elege notórios e diplomados homens hábeis na arte de furtar o Erário (Maluf) ou figuras bizarras (politicamente) como Clodovil, Frank Aguiar (esse não só politicamente) ou mesmo gente (?) que acabou de ser flagrada como Genoino, Palloci, Valdemar da Costa, João Paulo. Esclareça-se que eles não estão atrás de votos e sim da imunidade que o Parlamento lhes dá. Irão responder por seus crimes em foros privilegiados.



Mais um parágrafo e o bom Deus desiste de me acompanhar.


Agora estamos prestes a embarcar ou num navio sem casco ou num avião com a turbina em pane. E o povo ávido e grávido de esperanças. É como estar entre... ia falar entre a cruz e a espada; mas hoje é dia de fugir do lugar-comum:



Jean Buridan, pensador religioso francês do século XIV, sugeriu o que ficou conhecido como “paradoxo de Buridan” - nele, um asno faminto e com muita sede é colocado diante duma vasilha de água e outra de comida: qual o asno atacaria primeiro?



Figurativamente, “nosotros” é que somos o asno, e Lulas e Geraldos são os vasilhames cheios de comida, água e cobiça pelo poder.



PS: na Roma Antiga, os que pleiteavam cargos públicos se apresentavam em roupas “cândidas”, daí “candidato”, tais vestimentas eram usadas para denotar pureza e valorar a honestidade; diga lá, os políticos atuais devem ser rebatizados com que nome?


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