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Leonardo em Perspectiva





Estréia em São Paulo a maior exposição sobre Leonardo Da Vinci já montada por essas paragens. Leonardo é um delta. Fez de tudo. Criou, prospectou, experimentou, ousou. Gênio é o lugar-comum à simples menção do seu nome. O gênio, penso eu, é a versão pagã do milagre.

Há cerca de 14 telas atribuídas a ele, o suficiente para colocá-lo entre os maiores gênios da pintura. A Monalisa, de quem eu gosto pouco e até desgosto, aquele seu olhar com par na penumbra labial de mulher que foi traída e planeja a vingança: vice-versa também vale. É a obra de arte mais valiosa e conhecida que há.

É considerado o homem mais versátil da história, embora especialistas em não-sei-o-quê (eu incluso) o acusem de apenas “teorizar” suas idéias no campo da ciência e composição de artefatos dos mais diversos, pouco ou nunca as aplicando ao mundo real, talvez por estar muito à frente do seu tempo e não existir tecnologia disponível à época, exceto a do seu cérebro.


Estátua de Leonardo

Creio que Aristóteles, que nasceu 1800 anos do Léo, era uma espécie de gênio mais genial que o italiano; conhecido como “pai da ciência”, era fluente em tudo o que existe: mundo natural, arte, metafísica, medicina, política, ética, e sei lá mais o quê. Escreveu centenas de livros do teatro à biologia. Dá para você? Ele sistematizou e classificou (a partir do nada) boa parte do que conhecemos hoje, apesar de equívocos, como o de crer e ensinar que a função do cérebro era resfriar o sangue ou de que os terremotos eram causados pelo ar que tentava escapar da terra, eram erros baseados na lógica e na observação; mas, cá para nós, se perdoamos aquele outro gênio de barba que ocupa um palácio em Brasília, também podemos perdoar o tio Ari né não? É sob a influência de Aristóteles que se assenta todo o pensamento ocidental, mas o dono do texto é o Da Vinci, me perdoem o desvio.

O homem era fogo-na-roupa, como dizia minha vó quando eu fazia alguma arte; arte de arteiro, não de artista. Li duas biografias dele e um outro livro chamado “Anotações de Da Vinci – Por Ele Mesmo” (Editora Madras,351 páginas) que denota a sua incrível capacidade de reter dentro de si até o surreal: ao tratar a luz nos seus quadros como uma substância física (como provou Einstein séculos depois) ele antecipou o raio laser e as fibras óticas, sem contar o submarino, o helicóptero...

Tentar decifrar o cérebro mais inquieto e curioso já fabricado, é uma tarefa árdua, apreciar seus inventos e criações, um prazer; exímio em tudo que botava a mão, era músico, cientista, escritor, engenheiro, arquiteto, físico, escultor, paleontólogo(!!), ele devia ter massa encefálica espalhada pelos dedos. Uma hemorragia e era um fluxo de neurônios, em vez de sangue. Freud disse sobre ele: “Ele foi como um homem que acordou cedo demais da escuridão, enquanto os outros continuavam a dormir”.



Escrito por Alex Menezes às 00h36


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