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Festa de Livros

Começou hoje numa bela e paralelepípeda cidade do Rio de Janeiro a 4º Festa Literária Internacional de Parati, a Flip. A iniciativa de criar uma festa para o livro merece louros.



O livro, esse objeto tão misterioso quanto secular, sofreu de tudo no decorrer da história; foi vilipendiado, proscrito, queimado, virou combustível. Se o livro fosse um povo, ele seria o judeu.



Eu leio de tudo; bula de remédio não vale, virou clássico, todo mundo diz que lê. Leio atestado de óbito, anúncios de promoções de funerária, e queria ter o poder de ler que palavras se formam no ventre do analfabeto quando come letras de macarrão.



O prazer de uma boa leitura não tem preço, pode-se com o livro dialogar com o futuro e o passado viajar a lugares distantes na terra e fora dela, rir ou chorar com personagens que se tornam nossos amigos íntimos.



Eu falo com os personagens dos livros. Tinha medo da Cuca. Achava que a boneca de pano da minha irmã (Neide) podia falar feito a Emília e enfiava comprimidinhos na boca dela em vão; ela permanecia muda; mas minha irmã não, reclamava só porque eu furava a boca da pobre boneca. Não comia milho inteiro; ia que fosse o Visconde de Sabugosa? Convidava o Saci pra ir jogar bola ou andar de patins; colocava sal nas compotas de doces de Dona Benta. Quantas imagens...



Hoje vejo o livro como um artigo de luxo e mais do que luxo, pois o luxo ainda se pode piratear; mas livro ninguém é louco de piratear. Se nem os originais vendem!



Como Martin Luther King, eu tenho um sonho. O sonho de ver as crianças lendo gibis, criando suas próprias fantasias, aprendendo o poder mágico dos livros ainda cedo, pois um bom leitor na infância será um excelente leitor quando adulto.


Leiam, leiam e leiam; e quando o tempo e a vida corrida não permitir, leiam também.





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