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Das Lixeiras e dos Lixos de Luxo

Por centenas de anos alguns homens de boa cepa movimentaram seus neurônios para formatar o mundo que ora usufruímos; padeço de alta dúvida sem saber se a herança é ativa ou passiva; questão de simbiose errática uma vez que não pretendo legar aos homens do futuro nem mesmo um lápis sem grafite, que dirá um mundo mais habitável. A coisa não é simplesmente numérica. Parece que o nó, concebido pelo primeiro homem em data imemorial, ainda está a apertar em vez do natural afrouxar de tudo aquilo que (nos) aperta.


Veja o cordial caso do reitor (epíteto “Magnífico”) da Universidade de Brasília que pegou do meu dinheiro, 470 mil unidades dele dinheiro, para mobiliar sua cobertura com o fausto que seu pronome de tratamento exige, magnificamente. O que fez arder nos olhos da mídia foi o valor praticamente excessivo pago por uma reles lixeira, dessas que normalmente usamos para proteger o lixo; 990 reais. Nada menos.


Se eu ficasse indignado com este fato eu não me reconheceria como o eu que já conheço. A coisa não é simplesmente numérica. A sorte da minhoca é que ela defeca o que come e não o contrário. Não sabemos com exatidão o que o reitor asila na sua lixeira; em regra colocamos caixas de leite, raspas de queijo velho, rolhas, casca de cebola, algum ingrediente pecaminoso, essas coisas. É peça de decoração, argüirá algum defensor do bom gosto ocidental; que seja, desde que não pago com o dinheiro que às vezes (às sempre?) nem tenho, mas que contribuo assim mesmo, porque o governo é um gênero de credor eficiente; sou tributado no choro do nascimento, tempo em que ainda nem conheço as vilezas do dinheiro, e tarifado no alívio da morte, quando não mais dele preciso. Notaram que nem tudo é uma questão numérica?


Poderia muito bem acabar aqui essa conversa e liberar você para outras tarefas menos aborrecíveis; mas seria criminoso omitir-me do fato de que um candidato negro pode ser o próximo presidente daquele EUA; negro é o empecilho menor, sua candidatura estará desgraçada quando seu oponente lembrar à poderosa nação que o sobrenome (como se já não fosse ousadia demais ser “Obama” que rima com Osama) é simplesmente “Hussein”; é isso aí Barack HUSSEIN OBAMA Jr.; não é exigir demais da hipoficiência e ingenuidade do eleitorado norte-americano? Diga aí para eu ouvir: será que ele leva a faixa e o sinete? Aposto uma lixeira contigo que não; lixeira das lojas de 1,99 que não rima nada com 990, que fique bem claro, não quero ser citado em nenhuma CPI de leitores. Good bye.





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