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Cuba Libre - de Fidel

Após saborear as delícias das três estações, chegou o outono de Fidel Castro, e a pergunta que fica é: o que será de Cuba sem seu timoneiro?


Desde 1959 ele comanda com mãos e barbas de ferro a ilha caribenha e parece que ela foi melhor para ele do que o contrário. Quem é Fidel? Um tirano? Um herói de uma esquerda esquecida e ultrapassada? Depende. A propaganda do liberalismo diz que ele fez mal à ilha; ela era a 4º maior renda per capita da América Latina antes da Revolução; hoje é a 29º. Ponto para os anti-Fidel. A ilha tem hoje uma das melhores tecnologias em ensino médico; os índices de educação e cultura da populaçao são acima da média na região; ponto para Fidel.


Mas os números frios dizem pouco. Há miséria "no" EUA que tem, a despeito do seu poderio incontestável, uma dívida pública impagável: im-pa-gá-vel, o que ocorrerá quando essa bolha explodir? A diferença entre capitalismo e "comunismo*" é que, no primeiro, a riqueza fica nas mãos de poucos; no segundo há um justo equilíbrio na distribuição da miséria; fora os comandantes, todos são igualmente miseráveis; enfim antes de analisar qual dos modelos é o menos pior temos de ir devagar, feito massagista de porco-espinho.


Está entre aspas porque, como foi idealizado por Marx e Engels que são uma espécie de Lennon/McCartney do pensamento socio-econômico, o Comunismo puro jamais foi praticado em nenhuma parte do mundo - por ser utópico e por ter sido elaborado para governar pessoas, esse animal ingovernável.


Fidel é o maior ícone político dos últimos 50 anos no mundo; tem o carisma dos grandes líderes, o magnetismo de um Napoleão Bonaparte que, segundo historiadores, valia o equivalente a 30 mil soldados quando liderava unidades no campo de batalha. Fidel causa inveja a líderes tatibitates como o perigoso e ingênuo Bush, o frágil Tony Blair, ou o ex-alguma-coisa Luis da Lula Silva Inácio; se ele baralhou os ideais que tinha, posso, inpunemente, baralhar-lhe o nome. Há em Fidel aquela rara matéria que a ciência e a filosofia tentam explicar e não explicam nada. Como alguém pode hipnotizar multidões a ficarem 6, 7, 9, 11 horas prostradas ouvindo discursos infindáveis?


Executar dissidentes, cercear o direito sagrado de se expressar são sub-produtos inerentes a regimes totalitários, o grande Voltaire dizia que podia não concordar com alguma ideologia, mas que defenderia até a morte o direito de poder dizê-la. Qualquer pessoa de boa-fé não pode se calar ante tais atos execráveis; mas o que seria bom para os cubanos? Uma democracia à Iraque, forjada a sangue e corrupção? Quem sabe o que é bom para os iraquianos são os iraquianos; idem aos cubanos. Os principais produtos de exportação de Cuba é açúcar e refugiados, resta saber se os americanos têm interesse nas pessoas ou no produto.


Fidel está apagando, octagenário, deixa para o bem ou para o mal um legado que apenas o tempo será capaz de julgar, pois o tempo, esse deus mudo e imparcial, tem mais cautela e critério e menos interesse do que os jornalistas. A questão enfim, não é se o capitalismo, vai morrer; a morte não faz concessão a nada e a ninguém. Essa máquina voraz de consumir gente, pode estar agonizando igual a Fidel, mas agonizando de uma agonia silenciosa que apenas a podem escutar os ecos do futuro.




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