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Cinema Mu(n)do


Nos últimos dias consumi muito vinho e cinema. Somados à música e à Literatura, são elementos que ajudam a tornar possível a existência. Entre as dezenas de filmes vistos, destacarei quatro: Apocalypto, Babel, DéJa Vu e O Labirinto do Fauno.



Não é falso afirmar que o abuso do álcool somado ao anti-semistimo tenham causado uma grave lesão ao cérebro de Mel Gibson. Seu filme é um torpedo iníquo. Sangrento e excessivo. Uma tribo maia é quase dizimada. Alguns são levados escravos. Chegam num lugar só possível de existir numa mente pré-cristã e pós-holocausto. Seriam de judeus o mar de corpos dilacerados numa vala comum? O índio- herói não morre nunca, apesar de enfrentar onça, flechadas que tais e o clímax: é salvo até por um eclipse.



Já Babel é tão agonizante que causa um certo claustrofobismo ocular. A idéia manjada do cinema americano de criar várias células de histórias que se confluem já cansou; o filme Crash – No Limite esgotou a idéia. Parece ser uma teoria humanista e ingênua de tentar explicar a balbúrdia do mundo atual. Peca. As conexões que tornam o mundo violento estão em intolerâncias e não apenas em ações individuais que se conectam.



Déja Vu, não obstante a sempre excelente atuação de Denzel Washington, desliza em momentos fulcrais quando interpreta mal as ações do que o tempo pode fazer quando é revertido: não apenas muda o destino de uma pessoa ou fato, mas desequilibra a própria estrutura social, criando uma cadeia de fatos incontroláveis, como o é o presente: incontrolável.



Já o Labirinto do Fauno é um filme sublime. Doloroso pela poesia fantasiosa que é infantil por natureza. Em 1944, após a guerra civil espanhola, a pequena Ofélia, chega ao QG do sanguinário padrasto capitão do exército espanhol. Sem contar os efeitos especiais que “arrombam a retina de quem vê” de tão espetaculares que são, a menina cria um mundo fantasioso habitado por fadas, faunos e entidades míticas como que para fugir da realidade brutal que a cerca; ao fim do filme não se sabe o que é real: se o que a menina vê ou se a irracionalidade humana que opera guerras. Repito: é um filme sublime.



O cinema recria o que a mente concebe; fazer analogias religiosas-políticas, receitar os ingredientes da mecânica do caos, reverter o tempo para consertar equívocos, ou mergulhar num sonho mais verossímil que a realidade. A mente e o mundo são como caixas que se coadunam; dentro dessa caixa há uma outra que se expande e na expansão outra caixa que as encerra; a caixa maior não é a que concentra a expansão e sim a primeira e menor; com a imaginação abrimos a caixa da caixa da caixa da caixa...




Escrito por Alex Menezes às 23h43


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