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Cebolinha Racer

- Cebolinha, vai até o armazém pra mamãe?

- Clalo! O que eu tenho de complar?

-BERINJELA,FARINHA, GRAMPOS, BETERRABA, ARROZ, E REPOLHO.

- Posso levar um intelplete?

Pala mim o Cebolinha é tão impoltante como Alexandle o Glande, Wittgeinstein, Chico Bualque, Van Gogh, e Machado de Assis. Ele é um dos meus glandes helóis. Suas façanhas são igualmente magníficas como as do super-helói macedônio nas gélidas coldilheilas do Afeganistão, ou as pintulas onílicas de Vincent, as teolias metafísicas de Wittgeinstein, as letlas sensoliais do Chico e a obla feiticeila do Bluxo do Cosme Velho.

Esse personagem encantador me comove a cada tirinha que leio dele.

- Posso levar um intelplete?

Olhem lá a calinha dele. Enxelguem o que há de lúdico e etelnamente infantil na explessão altamente fiel à sua essência captada com magia pelo caltunista que o desenhou. Pleciso também de um intelplete.

Tem um nome aquele que troca o L pelo R (crasse/classe): rotacismo.

O caso do Cebolinha é de lambdacismo, a troca do R pelo L.

Outro dia ele causou uma baita encrenca com a Mônica. Ele falou que queria ser o dono da lua e a Mônica, bravona como cento e pouco por cento do gênero feminino, pensou que ele se referia à “Rua”, mas ele falava da “Lua” mesmo; tarde demais já tinha levado umas bordoadas da dentuça.

Personagens que marcam nossa trajetória são fascinantes. Acabei de voltar do cinema onde vi o Speed Racer dos irmãos Wachoviski (de Matrix). Sai-se da sala de projeção como quem acaba de “beber” pela via ocular doses cavalares de um ácido lisérgico. É uma viagem! Muitas cores, muita ação, muito tudo. Só houve um pecadilho no longa-metragem: inventaram um Mach 6 que equivale a uma heresia, algo como botar o Osama na cadeira de titular do Vaticano. Todo apaixonado pela animação do japonês Tatsuo Yoshida sabe que o mítico carro guiado por Speed Racer TEM de ser o fabuloso Mach 5. qualquer coisa fora disso é idioletice.

Animes à parte, a semana não pode começar sem que seja lançado um olhar de grave afetação pelo que ora ocorre em Mianmar, aquele lugar que é na verdade um projeto de país não bastou ser devastado pela nefasta política militar que o domina, teve também de aparecer um ciclone para sacar mais de 100 mil vivos que foram depositados na conta do mundo dos mortos. 100 mil! Tudo o que for 100 mil é colossal. Dinheiro, beijos, tulipas e chapas de aço. Isso parece conta de astrônomos e paleontólogos. Já conversou com algum? Eles não gostam de nada que não atinja a cifra do milhão - de anos. 100 mil eles ignoram, como nós ignoramos a dor ausente, que lateja em ombro alheio.

Triste conversão de valores! Salvo um grito humanitário aqui e outro acolá, é preciso que 100 mil necessitem morrer para que o mundo se mobilize e observe o estado de miséria daquele lugar que 98% da população do Globo ignorava. Aqui no Brasil uma simples unidade mirim assassinada é capaz de parar o país para que ele lamba suas próprias entranhas em público, e de certa forma saboreie, no melhor lugar da platéia, o espetáculo da miséria dos outros que também é tão nossa. Go Speed Racer Go!




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