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Big Brother – ou Bestialidade Brasil



Ariano Suassuna, célebre autor de O Auto da Compadecida me magoou profundamente. Já tinha me magoado rasamente quando copiou no seu Auto uma cena inteira de Shakespeare, (O Mercador de Veneza). Suassuna deu uma entrevista à maior emissora do país ao competente jornalista Geneton Morais Neto. Disse-se decepcionado com o “lixo cultural” do país e meteu o pau na Madonna e no Brancou Jackson. Silêncio sobre xuxas, novelas idiotizantes e afins. Clientelismo cultural é isso aí.



Começou um dos programas mais idiotizantes do mundo. Enfiar uma dezena e meia de pessoas com mingau na cabeça para se debaterem entre o vazio e o vácuo é uma sacada de mestre. Pedro Bial, seu ar de “homem inteligente” é peça chave para cooptar incautos e cautos também; ele tem lá seu charme, seu verniz cultural, leituras, viagens, produções, livros escritos. O homem certo para o lugar certo. Bial já entrevistou gente como João Gilberto Noll, um dos maiores escritores vivos do país. Será dinheiro o aditivo que faz um pseudo-intelectual como Bial se rebaixar e ser comparsa de um atentado contra a inteligência como essa imbecilidade chamada Big Brother?



Não é privilégio do Brasil o êxito da boçalidade contra a razão. Na Holanda, inventora desta (.....) e nalguns países europeus o sucesso é garantido. Vou me transformar num neoxenófobo. Tudo o que vier de fora irei rejeitar. A Rússia, celeiro do “Renascimento da Literatura” que produziu alguns dos maiores autores e obras da história festejou Paulo Coelho esses dias. Deve ser a vodka, o Putin ou o El Niño.



Não é por rabugice. Se o programa tivesse ao menos algo que não prestasse para oferecer, eu o assistiria, eu assisto um monte de porcaria; porcarias podem ofender o estômago, porém aliviam a gastrite que se apodera da alma. Mas o pior é ele que não oferece nem o que não presta! Falo com algumas pessoas e elas (às costas) dizem que eu não assisto porque sou “metido a intelectual”. Quando querem me ofender não me chamam de “filho da mãe” (da mãe é eufemismo) ou “seu miserável”; me chamam de “o intelectual”. “Olha ali o intelectual”. Intelectuais são necessariamente pessoas amargas, solitárias, mal-amadas e inteligentes; não pode faltar nenhum desses requisitos. Eu sou apenas amargo como o diabo e solitário como uma lã. Ser mal-amado e inteligente são condições genéticas que não possuo. Vão me chamar de intelectual-manco.



Um amigo sugeriu que todos tinham de ser presos; Bial, participantes e espectadores. Sugiro um minuto de silêncio em vez do xilindró.




Escrito por Alex Menezes às 21h20


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