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As Meninas, Velazquez

Diego Rodríguez de Silva y Velazquez foi um expoente (1599-1660) da pintura espanhola do século 17, teórico e prático da experimentação do claro-escuro e impecável retratista. Esse quadro, “A Família de Felipe IV” ( ou “AS MENINAS”), é sua obra mais célebre.


Influenciado pela técnica pictória de Rembrandt (que veio a influenciar todos os artistas europeus até o século XX), Velázquez coloca em foco a infanta Margarida, filha do rei Felipe. Tudo o que a derredora é ou brutal ou grotesco. A luz que incide sobre ela vem de chapa do alto da esquerda para a direita e corta a tela na diagonal, iluminando completamente seu corpo triangular, como nas madonas renascentistas. A união de cores do vestido e da sua pele, mesclados com a quase líquida luz que lhe acolhe, a faz parecer uma espécie de angelos, a menos humana das figuras retratadas na tela.


Nada nela é distorcido. A anã, (Mari Bárbola) figura sombria e patética, tem traços pesados, um vestido preto que contrasta e realça o aspecto celestial da jovem princesa que tem no semblante um adorável ar de superioridade, não se importando com os criados que lhe ajeitavam para posar para um quadro que Velázquez lhe iria pintar, segundo se suspeita.


Ao fundo, sobre a cabeça da infanta, a imagem do rei e da rainha aparece refletida no espelho, parece fazer crer que o pintor, também autorretratado no quadro, pintava os monarcas, num efeito devastador de movimento, pois é o espectador do quadro que estaria no lugar do verdadeiro tema do quadro: o rei e a rainha.


A luminosidade do quadro parece ganhar movimento ao passo que a percorremos de cima para baixo; mais uma vez é Margarida quem não está em posição de movimento e sim extática, feito estátua; todos as demais personagens da narrativa acabaram ou estão por fazer algum ação que lhes dão o efeito de estarem intrometidos na tela em que só uma personagem brilha, justamente a que não guarda nenhum resquício de humanidade, só de beleza e esplendor.

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