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As Leis do Imperador

Uma cidade na Holanda inovou e resolveu abolir as leis de trânsito. Nada de placas. Nada de carros não poderem andar na calçada. Contra mão não existe. A mão é feita de acordo com a direção que apontar o nariz do motorista. Semáforos foram apagados; são peças de decoração. É o caos, dirá você que não viu a reportagem. É o caos, diriam os puristas de plantão. Não há caos. Em um mês com a nova “lei” os acidentes diminuíram 70%; 70% é um bom número.



Algo me sopra a dizer que o homem, esse bicho ingovernável, só comete delitos quando sabe que seu ato é um delito. Libere as drogas e ninguém as usará mais, ou ao menos diminuirá o consumo, ou podem encalhar nas prateleiras... Diga-se que não se carece mais de pagar impostos e... e nada, o governo fale porque a regra de não pagar é tão unânime quanto, quanto o quê mesmo... foge-me uma comparação assaz adequada; até o fim do texto acho uma comparação que preste.



Não descuido do fato de que a alma humana tem lá seu fraco pelo proibido; se o Todo-Poderoso não houvesse proibido a Sra. Adão de comer o tal do fruto proibido quede-se a pensar que estaríamos todos emparaisados, vivendo em harmonia terrena, mas harmonia e homem não combina é como...como? hoje estou péssimo de comparações...



Como a banana que come o macaco, a novidade holandesa causou alvoroço na mídia. Um repórter entrevistou o engenheiro responsável pela desorganização do trânsito e este, para provar a eficiência segura da sua invenção, atravessou uma rua com venda nos olhos – chegou a salvo do outro lado dela; são não se sabe se é. Me felicito com ver ações desse naipe. Odeio reacionários.



Vespasiano, célebre imperador romano, resolveu taxar o uso dos banheiros públicos. Seu filho Tito, que teve o desplante de estranhar um tão extravagante tributo, recebeu como resposta do pai: “Figliolo, pecunia non olet”, ou seja “dinheiro não tem cheiro, meu filho”. E não tem mesmo. Quem aí cheira uma nota após recebê-la ou achá-la? Dinheiro é um manjar inodoro, meus caros cidadãos. Trouxe à baila (trazer à baila é uma bela expressão e tem cheiro de baile, de bailar) à historinha do imperador para ilustrar que o esforço humano pode tudo, até retificar costumes que a ilusão iludia serem corretos, como esse de existirem leis de trânsito.


PS: fim de texto e devo a comparação; não ligo; muitos me devem, poucos me pagam


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