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As Colunas Anti-sociais e o Erro do Poeta





A revista Caros Amigos deste mês (Janeiro) traz na capa uma matéria com o ator “da nova geração” Lázaro Ramos. Fiquei impressionado: “Não tiro foto na banheira, não sou celebridade, sou ator”. Incapaz que sou de avalizar e analisar uma atuação cênica, (salvo as de Marlon Brando ou Sean Penn) não posso atestar a qualidade do ator ora mencionado, mas já sou seu fã. Chegarei ao paroxismo de assistir à novela das 8, caso nela ele atue.



O mundo das “celebridades”. Aliás esse termo “celebridade” me causa asco. Como me causa asco o termo “balada”. Sinto engulhos, náuseas, essas coisas com som e cheiro de velório. Onde eu estava? Ah, nas celebridades... Outro símbolo da perfidez humana são as colunas sociais dos jornais. Só as aftas e Brasília (o carro) me causam mais irritação. Perfil dos colunáveis: gente branca (salvo quando Pelé por seu talento enxerido e sua cor reprovada lá se imiscui) belas mulheres (brancas), empresários, banqueiros, (ladrões), artistas (?) de TV, neo-bobos alçados à fama por algum ato, nobre ou não, que lhe evidencie a existência e toda sorte de carne humana que, se não ingere carniça, ajuda a fabricá-la nos seus currais.



Quer ver o que está na coluna social de hoje 13/01/07 da Folha de São Paulo? Péra um pouco (o computador insiste em escrever “pêra”, prova de que ou o cronista ou a máquina não conhece bem as nuances do idioma):



“Admiradoras de grifes que renegam seus manequins, gordinhas chiques, lutam para escapar do limbo fashion”.



Limbo Fashion!! nem Oscar Wilde engendraria um termo tão original como este; limbo fashion. É um espanto saber porque Dante não pensou nisso. Emendo a Divina Comédia com este canto e assim reabilito o poeta desta falha imperdoável:





- Ó bela Beatrice, cá venho eu armado de candura socorrer-te deste limbo fashion que te devora o espírito, vem amada minha...



A luta é para que as altas grifes confeccionem roupas para as obesas: vamos continuar nossa diversão: “O jeans Diesel vendido no Brasil vai, no máximo, até o 44. As etiquetas oferecidas pela multimarcas Jeans Hall (Joe" s, Frank B, Rock & Republic, Hudson) não passam do 42; muitos modelos, aliás, só vão até o 38. Giorgio Armani pára no 46. Dolce & Gabbana, no 44. Forum, também no 44.


"As grifes não têm obrigação de vestir os mais gordos. Louis Vuitton, por exemplo, não oferece roupas para teens”. Diz o diretor da marca Diesel.



Quem é insistente conhece a minha teoria sobre os capitalistas; não importa o bem-estar de ninguém e sim o lucro. "A grade da Forum atende ao perfil das clientes da marca", informa o dono da empresa, Tufi Duek. "As [grifes] italianas, por exemplo, são terríveis! Você precisa ser muito sequinha para usar. Adoraria ter algumas peças da Prada, mas você acha?", lamenta uma socialaite. Veja o que disse essa cliente aflita: "Eu nem entro em algumas lojas. Pra quê? Nunca tem nada do meu tamanho mesmo. Aliás, as vendedoras nem deixam você ficar dentro das lojas. Cansei de entrar para comprar presente e ver uma mocinha aflita me avisar de cara: "Ai, aqui não tem nada para o seu tamanho!" Mas eu só queria comprar um presente!"



Ficaram com algum dó desses ilustres semelhantes? Como?! Nada de comoção? nenhum dozinho sequer? Quão insensíveis são as almas desses meus leitores!; não os quero mais, vou recrutar leitores compreensíveis e sensíveis entre os transeuntes da rua Oscar Freire, ou nas alamedas sem verde do Iguatemi. Lá terei acolhida. Serei compreendido e ganharei mimos como uma bolsa Louis Vuitton de irrisórios 54 mil reais. Promoção da semana.



A culpa não é, decerto, da moça que quer enfiar-se na moda e gastar seu às vezes não suado dinheirinho com peças melhores cortadas que às roupas que Aquele alfaiate fez para os lírios do campo. Não é dela. A culpa é da proporção. Existe mais esbelto que gorducho no mundo, esse dado foi coletado não por algum instituto oficial de pesquisa e sim pelos estilistas de moda. Se houvesse mais gordos, os Tufis Duekis fariam roupas para os gordos e os magricelas teriam de comprar embalagem unitária de palito de dente se não quisessem sair desnudos por aí.



Mas onde nós estávamos mesmo? Desculpe, é melhor encerrar por aqui, esses temas afetam a minha memória e a coordenação motora correndo sério risco de eu confundir as palavras e escrever que tudo o que se mostra real é na verdade objeto de ficção.




Escrito por Alex Menezes às 17h43


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