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As Cidades do Povo

Parafuso–BA, Varre-Sai–RJ, Velhacaria–MG, Venha-Ver–RN, Xique-Xique-BA, Serrote–CE, Realeza–MG, Parafuso–BA, Papagaios Novos–PR, Pangaré–PR, Não-Me-Toque–RS, Maçaroca–BA, Lagoa da Confusão–TO, Jardim de Piranhas–RN, Humildes–BA, Garrafão–ES, Fumaça–RJ, Faxinalzinho–RS, Feliz Deserto–AL, Facão–MG, Depósito–RR, Cacha Pregos–BA, Baía da Traição–PB.



Que achou dos nomes dessas cidades? Que tal ser um feliz morador de Velhacaria. “Eu sou velhaco, da parte sul”. E você? Sou da Cacha Pregos, preguense. Tu? Sou piranhense. E ele ali? Eu? Ah, sou da realeza. Aquele? Falo pouco, sou papagaieiro. Este? Posso te escoicear: pangareano. O do outro lado? Varro e saio, devo ser vassoureiro piaçaveiro, num sei não. O do lado do gordo? Humildeano. Tinham fumaceiros, depositenses, desertianos, maçaroqueiros, parafusenses.



O Brasil tem 5506 municípios. Muitos deles não se sustentam, precisam da verba da União (sapianos federais, lembram?) para fechar suas contas. São currais eleitorais, criados para fomentar as vaidades partidárias e a mantenedura do coronelismo nacional. O EUA, quarto maior território do globo e com uma população de 300 milhões de euaenses, maior que a população da Europa, tem apenas 3200 municípios.



Daí as aberrações. Só pode ser por zombaria que uma câmara municipal se reúna em plenário para batizar a recém-criada cidade com um nome de Jd. das Piranhas ou Lagoa da Confusão. Não é questão de regionalismos. Confusão é confusão aqui e em Xangai. E Piranha, bem, piranha...



Os políticos gostam de esgotar a paciência dos cidadãos. Mas, como disse o às vezes sensato Ministro do Supremo Marco Aurélio de Melo, o povo não é vítima e sim autor nos casos em que tem violado seus direitos. A culpa é do povo. Fragmentos de uma peça:


- Machado: Como andam os governos? Suprimiram a corrupção da ordem do dia?


- Bibliômano: Você deve estar brincando; a corrupção, por mais que tentem escondê-la, nunca foi tão pública como tem sido atualmente.


- Machado: Corrupção escondida vale tanto como pública, a diferença é que não fede. Mas não é surpresa. O brasileiro já nasce com a bossa da ilegalidade. A República ainda resiste?


- Bibliômano: Apesar dos solavancos.


- Machado: O estado das coisas não pode ser menos cruel quando existe um consórcio entre um povo dorminhoco e um governo de ladrões; há um antigo adágio árabe que diz que no casamento entre cebola e alho, o filho não pode cheirar bem...






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