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Adeus Hanna-Barbera


- Ei Fred, nosso amigo Barbera se foi.


- Ei nanico, Joe Barbera só tirou umas férias de nós.


- Cabongue! Babalu, papai Barbera nos disse adeus e não não não se esqueça disso!


- Catatau, o Parque Jeliston ficou mais triste hoje, todas as cestas de piquenique estão de luto.



Atire o primeiro cartoon quem nunca se divertiu, se emocionou ou mesmo sonhou com os desenhos animados da dupla dinâmica Hanna-Barbera. Com ele é encerrada uma era.



Não gosto deste século XXI. Lembro que ao espocar o fim de 1999 para o temido 2000 já fiquei de mau humor; não iria vencê-lo. Josef Barbera o venceu como vencerá todos os demais séculos que estão à espera da vez, na estação da eternidade, que não atrasa nunca.



Tom & Jerry ainda hoje são meus companheiros. Assisto 20, 30, 600 vezes o mesmo episódio. O Manda-Chuva, o Guarda Belo, Scooby-Doo. São tantas personagens criadas que camuflam a minha percepção. Quando era pequeno e lia os letreiros dos desenhos, achava que Hanna Barbera era uma só pessoa e quando soube da morte de Wiliam Hanna, senti-me enganado: Hanna só podia existir com o Barbera. Hanna é indivisível de Barbera.



Quem não tem um amigo parecido com o Batatinha? Outro com a cara do Barney Ruble, El-Roy, Salsicha, Velma... aliás, escrever o sobrenome do Barney é estranho, pois a identidade das personagens deles é a sua imagem. Urso do Cabelo Duro, Dick Vigarista, Penélope Charmosa. Dom Pixote “ó querida/ ó querida”, e o Coelho Ricochete?



Adeus Mrs. Barbera. Sei que o senhor não lê em português mas a morte tem o poder de dissolver todos idiomas do mundo reduzindo e unificando a língua humana numa única acessível a todos. Obrigado por me nos acompanhar durante a infância, época em que a vida nos diz muito sem preço algum a pagar exceto o preço de poder sempre sonhar. Os olhos infantis são os únicos que enxergam o essencial. O Leão da Montanha assim diria para o senhor, após a longa caminhada da vida: “Saída de emergência, para o céu!”.





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