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A Igreja e o Jesus Perigoso



O governo do Vaticano em documento público reinvidicou para si a primazia do Cristianismo (na verdade cristandade) dizendo que só existe uma igreja de Cristo: a Católica. É possível. Como é impossível. As Testemunhas de Jeová querem. Os mórmons idem. Os metodistas. Os batistas. Até os da Igreja Universal, aquela da nefasta “teologia da prosperidade”, querem. Nem vale a pena citar Renascer, da Graça e outras que, como a de Edir Macedo, são facções criminosas que subvertem a lógica da religião como manifestação cultural e de importância capital na formação das nações.


Depende sobre qual Cristo que a Igreja Católica quer o monopólio. Existem vários. Harold Bloom retratou o “Cristo americano”, aquele cheio de virtudes capitalistas, disciplinado para o trabalho, um Jesus mecanizado, talhado para a eficiência imperial. O Jesus latino, desenhado por mim, é ideológico, reencarnado na figura de ídolos violentos como Che Guevara. O Jesus europeu é ainda idealizado pelas figuras pictóricas da arte renascentista que nos legou um Messias ariano de olhos coloridos de cabelos e pele caucasianos. É um Jesus imóvel. Já o Nazareno brasileiro está em busca de uma identidade que oscila entre o financista e agiota das igrejas-facções tidas erroneamente como neo-pentecostais; é um líder caricato, que infesta as ruas em “marchas” inócuas que parecem visar publicidade, dízimos e contra-ponto à Paradas Gays e afins. Esse é o mais perigoso dos Jesus, porque tem força política (nas bancadas do Parlamento, com bispos-senadores) social (nas aglomerações de ruas) e econômica (Rede Record). O futuro é desanimador e obscuro.


A Igreja católica é uma instituição em desespero não por afirmação, mas por foco. Está em busca de um alvo já que desde que perdeu poder político a partir da Idade Média, culminado pela criação da Igreja Anglicana por Henrique VIII (1491-1547) que desafiou a autoridade do papa (Clemente VII) e dissolveu seu casamento. A saída? Aparecer na imprensa. Em junho divulgou um “código de conduta de trânsito”, uma espécie de 10 Mandamentos sobre rodas. A repercussão é garantida.


Reclamar para si a univocidade do principal vetor religioso dos últimos dois milênios é ótima estratégia; causará grita entre as demais bandeiras Cristãs e a polêmica renderá dividendos que não importam se serão positivos ou negativos; o que vale é “causar” para usar a linguagem dos jovens de todos os credos. O Cristo Histórico que se cuide.




Escrito por Alex Menezes às 23h51


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