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A FORMA DA ÁGUA


Fui ver repleto de expectativa A FORMA DA ÁGUA, filme que oscila entre um surrealismo sensível e um toque de desespero à realidade; o diretor Guilhermo del Toro sabe o que faz.


Em "O Labirinto do Fauno", usa da mesma temática: a realidade é menos boçal do que a fantasia, por mais cruel que esta seja.


O filme trata na verdade das diferenças, cuja amplitude interpretativa vai ao céu; mas fica evidente o esforço do diretor em dizer: olhem, somos mais parecidos nos ódios do que nos amores...


Uma faxineira (delicada por não ser linda; se fosse linda, destruiria sua amabilidade quase espiritual), a estupenda Sally Hawkins vive Eliza, surda mas ativa a todos os sons em seu redor. Ela trabalha num laboratório secreto, durante os anos 1960, onde uma criatura (fascinante) é levada após ser capturada "num rio fedido da América do Sul". Ambos se apaixonam. A beleza da criatura faz par com a docilidade de Eliza.


Há tantas referências a filmes dos anos 50, que perdi a conta na décima; a torta de limão, o cinema sempre vazio onde acima mora Eliza... A fotografia do filme contribui para nos deixar assombrados: tudo parece flutuar num diminuto cosmo onde flanam as personagens (as boas e as más).


Escorrega o diretor quando dá ao final um clímax, digamos, de Disney ao destino da criatura e da "princesa" sem voz; tivesse um desfecho menos açucarado, daria para sair do cinema com o sonho a adentrar pela noite...


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