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A Economia do Escritor

Segundo o hebdomadário inglês The Economist a China, nas Olimpíadas de Pequim 2008, superará a proto-potência EUA no quadro de medalhas de ouro por 45 a 41. Será um marco. Assim como o primeiro homem em órbita soviético em 1961 serviu como propaganda comunista, encontrando a contrapartida capitalista no homem americano a visitar a Lua em 1969. Não é clara a intenção chinesa caso o futuro confirme o êxito olímpico.


A economia norte-americana anda a meter sustos no planeta ultra-conectado. A bolha da vez é o farto crédito imobiliário que não é honrado por quem o aufere. O FED, o banco central de lá, acabou de anunciar mais um corte de juros, com o fim de estimular a gastança dos maiores gastadores do mundo. A economia é a ciência mais indecorosa já criada, é ilógica e despudorada, impossível que, ao gerar uma grave crise como essa, não beneficie algum monstro devorador de capital alheio, como o, apesar de húngaro, mega investidor George Soros.


“É a Economia, idiota!”, disse o então candidato à Casa Branca Bill Clinton a um interlocutor que cobiçava seu plano de governo. Embora incipiente, sou um escritor franco. E tão franco que prevejo o tédio de escrever sobre economia; é idiotia tentar entendê-la, e agravada estará a saúde daquele que querer insistir nesse negócio putrefato; mudemos de assunto.


Assunto parte 2: se eu não fosse eu e fosse o leitor imediatamente desconfiaria que eu, por não entender patavinas do assunto Economia, preciso sair dele. Julgaria que o escritor é incapaz de arrazoar sobre a ciência que tornou Keynes célebre. Vou lhe dar uma sessão de pernosticismo. Já li Celso Furtado. O revolucionário intervencionista Keynes, que por sinal morreu no mesmo dia em que eu resolvi nascer, um 21 de abril qualquer. Adam Smith é o mais pragmático e genial entre todos os economistas teóricos, porque, apesar de estudar a “riqueza das nações”, era um humanista, tendo se destacado também na filosofia. Li Alguns artigos de Paul Krugmann, o guru econômico dos anos 90, e tento ler a novíssima biografia de Alan Greespan, o cerebral ex-presidente do FED, que não usa supercomputadores para equacionar nada; confia mais no lápis. Mas para quê tal esforço e consumo de páginas e dinheiro se não entendo nada do que eles dizem? Economia envolve grana e o valor que se atribui ao dinheiro é uma das maiores patacoadas já criadas pela mente humana.


No filme EU SOU A LENDA, a personagem de Will Smith (outro Smith!) está sozinha numa Nova Iorque devastada por um vírus que transmutou os demais habitantes em monstrengos horripilantes; ela perambula pelas ruas desertas e paulatinamente devolvidas à natureza da megalópole quando entra num banco, santuário universal dos dinheiros do mundo, e todas as notas estão lá, arrefecidas no chão poeirento, sem viva alma para as cobiçar; detalhe interessante é que mesmo ali, em estado de abandono, toda as notas pareciam inquietas, ávidas por circularem por aí, causando a desordem habitual e o frenesi do costume nas avenidas, metrôs, cinemas, teatros, prédios comerciais, igrejas (!), necrotérios, e até florestas; sem o dinheiro, nada disso se move. Como viram, não entendo nada de economia.





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