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A Arca do Futuro


Cientistas da Nasa que trabalham na Universidade Espacial Internacional tiveram uma idéia brilhante: querem fazer um “backup” de tudo o que foi produzido na Terra e enviar para a Lua, para o caso duma hecatombe planetária engendrada por algum religioso malsã (nada a ver com Islã), um presidente texano, ou uma dona de casa aborrecida com os preços dos cremes dentais. É uma ótima idéia cujo autor desta coluna aderiu sem pestanejar, com ressalvas, por óbvio.



O chefe da pesquisa, o venerável Sr. Jim Burke, sugere que seja criado um arquivo biológico e histórico; com ele poder-se-ia (mesóclise necessária!) subdividir tudo o que produzimos desde que saímos do “caldo primordial”, como querem os evolucionistas, ou do mero barro soprado, como querem os místicos e o Gênesis. A herança cultural pode ser ativa ou passiva. A ativa seria a produzida por Luis Gonzaga, a passiva por aquele sujeito de bigode escovinha – ou código de barra invertida?



A Arca de Noé da Era Espacial (ARC) como foi batizada, quer armazenar na estação lunar tudo o que de melhor se produziu nas mais diversas áreas do conhecimento. Pensou-se em toda a literatura francesa. A música alemã está escalada, menos a política. As receitas da cozinha italiana, a vodka russa, o cristal tcheco, o tecido egípcio, o vinho português, o café colombiano; os ingleses entrariam com o chá, contrabandeado da China; o sino país por sua vez concentraria todas essas bugigangas num único produto pirata; a dificuldade seria copiar Flaubert:



- Êta, ele fez Madame Bovaly em quatlo ano né? Vamo fazer 500 em quatlo hola né?



Quero pensar no que o Brasil podia colaborar. Pensei na cachaça, pensamento logo abortado porque os ébrios do futuro podiam inventar de inventar de fazer política e aí estaria tudo estrupiado de novo. A fauna e a flora podiam ser; mas teria de ser seqüestrada por já, ponto em que a escassez delas se mostra abundante. A solução para figurarmos bem na lista da Nasa podia ser uma célula-tronco do PT, que faria com que todo o projeto espacial fosse alavancado com algum Programa de Aceleração Coisa com Coisa (PACC). Se o Pelé não estivesse rico poderia aceitar o embarque na nave, imagine quanto não lhe renderia o logotipo sei lá, duma marca de maionese?



O fato é que os engenheiros e pensadores da agência espacial terão grandes problemas em classificar o que vão mandar para o espaço. Um dos chefes sugeriu: “No caso duma catástrofe global, as instalações da ARC estarão preparadas para devolver à Terra a tecnologia, a arte, a história os cultivos e os animais e até, se necessário, os seres humanos”. Cataplower! Seres humanos?! Cientistas são inteligentes, mas não são sábios; se os seres humanos são os que podem detonar o planeta porque os querer salvar? Teriam de fazer um backup para a arca da arca da arca da arca...





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