• ABM

Poema Sem Face


As cidades crescidas e povoadas


Ardiam de dor e nomes maus


Cidades ocultas, dizia um jogral


A muda muda pelo não vento


Crestava num sol radiante


Quanto sol! Quanta muda!


Pulsava um som de trovão


A cidade em mágoas, gemia


Sem fremir, esquecia a lida


O curioso matou a curiosidade


Por não a curiosiar:


O índio privatizado


Todos gemiam: – onde é


Que isso vai parar?


Santo, canto o manto


O manto sujo, o sangue


A jorrar que baila e na


Terra, em calha, preta


Um negro lundu


Olhou no envolta reviu a


Cidade, morta, pálida


De cor, forte como odor


Hipoteca e futuro, a cidade nula


Sem bula que nos anula


Morta, caída, vai cidade


Revive morta, cria a turba


Não agora – agonia


A embolia, à embolia

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