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Conversando com Arthur


Ensina o alemão Arthur Schopenhauer:

"Dois caminhos conduzem à fama alcançada pela realização de feitos extraordinários: AÇÕES e OBRAS. Um grande coração é a qualificação especial para o caminho das ações e uma grande mente, para o das obras. (...) cada um dos caminhos tem suas vantagens e deficiências e a principal diferença entre eles é que as ações passam enquanto as obras permanecem. A mais nobre ação possui uma influência apenas temporária ao passo que a obra de um gênio vive e tem um efeito benéfico por todo o tempo. De Alexandre o Grande, apenas o nome e a memória vivem, ao passo que Platão e Aristóteles, Homero e Horácio ainda existem em sim mesmos, ainda vivem e exercem um efeito imediato".

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O apóstolo Tiago ainda quando estava em Jerusalém também admoestou aos seus pares sobre a necessidade de uma obra ter um algo a mais; ou seja uma fé sólida para validar as ações, que estaria morta se uma não tivesse a outra. (Tiago, 2:14,17)

Respondo eu ao filósofo alemão:

- Arthur como andam as coisas aí nessa escuridão? Imagino que seja escura a eternidade, se não for, perdoe a liberdade deste Zé Qualquer. Contestá-lo do alto da minha insignificância é prova viva de que ainda há homens de espírito nessa Terra Devastada que o poeta T.S Elliot belamente projetou; todavia, não o faço sem observar a propriedade praticamente inatacável de sua tese. Não obstante, Ação e Obra são concomitantes, Arthur. A saber, que uma não existe sem a outra. A longevidade de uma obra ou de uma ação depende de uma série infinda de fatores. Não tivesse existido um indivíduo como Alexandre, cuja AÇÃO ainda ecoa nos dois lados do hemisfério, muitas obras talvez não tivessem sobrevivido e chegado até nós.

Dessa feita, meu caro Arthur, muitas outras ações, desde a de figuras míticas como este virtuoso e pobre Alexandre ou outras de menor importância, como os escravos que se recusaram matar seus senhores ou carregaram impérios inteiros nas costas, a médicos que salvaram vidas importantes e com esta ação mudou o eixo da História, ou um mero atendente, um gari, um faxineiro que executa fielmente seu papel de ator conforme a necessidade do tempo-espaço.

Arthur, não é de seu tempo, portanto não o vai reconhecer, mas um rapaz de nome complicado chamado Ludwig Witgeinstein, dono de umas das mentes mais brilhantes do século XX que além de genial era milionário e doutor em Cambridge, foi trabalhar de porteiro num hospital inglês, durante a Segunda Guerra Mundial, que graças a bem-vinda finitude humana você também não conheceu e ainda bem porque só iria potencializar seu famoso pessimismo, não é verdade? Entende a questão da ação suplantando a obra? Sua ação fez funcionar o parque mais importante num conflito, o hospital. Naquele momento sua ação se sobrepôs à obra que criou, que é monumental.

Mas eu confesso, Arthur, que é muitíssimo mais importante legar à humanidade uma obra que ainda reverbere, como a sua, que ainda influencia muita gente por aí; há até quem escreva livros de auto-ajuda usando você como mote, um montão de coisas. Obrigado Arthur, espero que, se não puder fazer uma réplica, se mantenha em silêncio, que também é uma forma de responder quando não se quer falar. Boa eternidade para você.



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