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Ursinho Maomé e Aquela Leitora




A formosa leitora de nome prosaicamente blogosférico “Aquela”, me pediu para escrever sobre as peripécias chavistas na Venezuela. Não escrevo. Primeiro porque não gosto de Hugo Chávez e segundo porque não gosto de gente que se intitula “Aquela” e tudo bem. Quem seria Aquela? E se a Srta. Aquela na verdade, for Sra. Esta? Faço um apelo público: Mademoiselle Aquela queira, por favor, dar-nos um sobrenome, um quitute biográfico; não lhe quero o endereço para não configurar assédio; todavia já que me nos privou da identidade a tomarei com os olhos melífluos da Grace Kelly (orlados pelos cílios felinos de Liz Taylor), o quadril alucinante da Audrey Hepburn, o porte masculinamente suave da Diana Krall, os seios protuberantes da Fafá mesclados com os de pitomba da Catherine Zeta-Jones; fantasio também que essa leitora-fantasma tenha o jeitinho meigo e principesco da Fátima Bernardes, a silhueta demoniacamente provocante do rosto da Vera Fisher, e a cor inventada dos olhos da Bruna Lombardi, eis aí criada minha Frankenstein às avessas. Idealizei esta mulher e ela escapa de relâmpago da cabeça; é impossível concentrá-la dentro da imaginação.



Um assunto muito, mas muito mais saboroso que o do Coronel Chávez é o da professora britânica, Gillian Gibbons, condenada a 15 dias de prisão no Sudão por permitir uma aluna batizar o inocente ursinho de pelúcia com o nome ultra-sagrado de Maomé. Falta muita pelúcia à lei islâmica que parece, a despeito de isenção religiosa, feita de com nacos de concreto e ingratidão; qualquer dia desses começarei a ler o Alcorão, para melhor poder desdenhar ou aceitar o radicalismo islâmico que até onde sei, não tolera a violência e a intolerância, mas como naquele poema do Pessoa, deixarei a espinhosa tarefa para depois de amanhã.



Muito sudanês pediu não a prisão temporária da educadora, mas sua cabeça, única responsável pela blasfêmia ao deus muçulmano. Ora ora. Provavelmente Maomé não decretaria esta sentença, o problema é que os representantes dele na Terra gostam mesmo é de radicalismo e carnificina. Eu, que ando geograficamente longe do Sudão e longe espiritualmente do Islã, posso dizer sem receio de perder uma tira do meu couro ou ser premiado com umas chibatadas no meu lombo que, caso Maomé conservasse o hábito de ler as notícias terráqueas ficaria lisonjeado com o fato, e como num milagre metafísico, transubstanciaria a blasfêmia em homenagem, arte que o povo do oriente não pode manipular, porque cego pelo excesso de luz ou de escuridão, o que dá no mesmo.



É por isso, cara leitora de nome insuspeito, é por isso que não falo do referendo venezuelano, da chinelada que o povo de lá deu nos planos “bolivarianos” de seu líder megalômano e estúpido, eu como discordo até do estado líquido da água enquanto mole, fico é preocupado quando vejo que quase 50% do povo aceitaria dar ao famigerado coronel plenos poderes para se reeleger eternamente. Eu hein. Vai que os cucarachos que votaram a favor dele estão certos? Vai que o Chavez é a pérola socialista do novo milênio? O resolvedor primaz das mazelas latinas e ultralatinas?



Da mesma forma que não gosto do Chavez e da leitora indefinível também não gosto de gente como eu que se contradiz em menos de uma página; diz que não faz e acaba fazendo. Quero ver se o próximo pedido versar sobre “as necessidades do exame de próstata aos 20 anos de idade, inclusive para madres superioras” ou um pedido menos oneroso como um plano eficaz para acabar com a milenar crise entre israelitas e palestinos, sem aborrecer os islâmicos, claro. Quero ver você se virar, seu sabichão.




Escrito por Alex Menezes às 00h07


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