• ABM

Uma Joia Missionária




A missionária Dorothy Stang, assassinada em Anapu, no Pará, em 2005 teve sua justiça jurídica reparada. Mas, por uma monstruosidade penal brasileira, nos crimes julgados no tribunal do júri que ultrapassarem 20 anos, o que acontece? A defesa pede: “Novo júri!”, e o juiz é obrigado a aceitar. Assim, o condenado tem direito a novo julgamento.


A missionária americana Dorothy Stang é dessas pessoas abnegadas que deveriam ser produzidas em escala decimal na linha de montagem uterina. Americana de nascimento, adotou o Brasil e, mais perigoso, o Pará como lugar para propagar seu altruísmo. O Pará, esse Estado situado num Brasil irreal, é uma terra sem lei, onde coronéis, grileiros, pistoleiros e fazendeiros fazem suas próprias leis.


Causa um errado desconforto saber que uma pessoa provinda de um país próspero queira se embrenhar num lugar selvagem como este com o objetivo de zelar pelo bem comum. É a raridade que faz mais nobre a atitude da missionária. Acho que foi João Batista, o “Precursor” (do Cristo), que podia escolher engordar tranquilo na cidade, mas preferiu comer gafanhotos e, de vez em quando, mel no meio do deserto, e sua recompensa terrena foi ter a cabeça servida numa baixela para deleite de Salomé.


Mas Stang, como esse bravo Batista, não tinham como preocupações honrarias terrenas nem recompensas suburbanas, o conforto oferecido pela matéria. Faziam o que fizeram por amor filial, deixando-se a si mesmos num plano secundário, talvez por não pensarem como o grosso ordinário dos humanos e sim como super humanos, espécie tão rara de encontrar quanto ouro num saleiro, ainda que seja o saleiro de Benevuto Celline. http://www.calendario.cnt.br/cellini.htm


A condenação dos macróbios* que mataram a missionária é inadequada, ainda que perpétua. Uma vez encarcerados, eles irão saborear o prazer de um banho matinal, degustar um gole de água quando a sede apertar, dormir um bom sono quando o sono chegar, e outras pequenas delícias acessórias que a vida proporciona mesmo a quem preso estiver, ao passo que ela, com a terra que há de lhe estar leve sobre si, só lamentaria o fato de, no fundo do sepulcro, não poder ajudar mais ninguém.


No dicionário macróbio é “que vive muito, idoso, de idade avançada, longevo”.


Aqui, para mim é micróbio gigante, que corrói gente.




Escrito por Alex Menezes, às 23h43.


Posts recentes

Ver tudo

O Culto