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Tutu- Barão

Hoje falarei de tubarões. Veja: tubarões de verdade, aqueles que só comem os homens por necessidade gastronômica e não por prazer ou por dinheiro. Carne de homem não deve ser suculenta; que o digam os antropófagos que sentiam uma indigestão miserável quando eram obrigados a incluir no seu cardápio uma coxa humana. Tubarão come gente porque não conhece a picanha.



Os moradores de uma ilha em Papua Nova Guiné têm um hábito bem humano de castigar os tubarões. Sim castigar esses animais esplêndidos. A incidência de ataques de tubarões na adstringência dessa ilha faz do litoral pernambucano um oásis para os surfistas.



O castigo é assim: os nativos pescam os tubarões com vida, abrem-lhes a boca com pedaços de madeira, jogam ouriços gigantes nelas e lançam os bichos ao mar e como eles não sabem cuspir, agonizam até morrer. Viram que delicadeza? Gente fina esses papuenses.



Eu não imagino um tubarão com esses requintes. O máximo que eles fazem é mastigar direitinho a pata de um surfista que, nadando por sobre suas pranchas parecem uma tartaruga gordinha, e depois arrotar arrependido por errar de almoço. Surfista tem carne dura. Curtidas por tanto tempo nesses sóis quentes a carne não deve ser própria para consumo tubarano. Sem contar as camadas de protetor solar e as tintas das tatuagens, que devem amargar pra burro.



O homem é um bicho engraçado; vai lá, invade e devasta a casa dos outros e não quer ser hostilizado. Eu, que ando a observar as coisas mundo afora (e a dentro também) anda não vi um tubarão de sunga, feito o Tutu-Barão, pleno calçadão de Copacabana, a mordiscar as pernas douradas das moçoilas ou dos turistas. Seria fuzilado se fosse tão ousado.



Mas me resigno com o destino das coisas. Se os papuenses metessem ouriços nas bocas daquela outra espécie de tubarão que está longe de entrar na lista de extinção eu ia ficar igualmente magoado; magoado pelo simples fato de que essa espécie sabe muito bem como cuspir.




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