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Sobre Não Ter Razão e o Triste Fim de Crianças Indefesas


"Socialismo é congelar todos na mesma temperatura e então lhes oferecer um cobertor."



Escreveu o jornalista Daniel Piza.



"Capitalismo é aquecer todos na mesma temperatura e então vender ar- condicionado só para quem pode comprar".



Repliquei-lhe, por e-mail.



Quem tem o privilégio de conter a razão?



Eu não sei. A razão é objeto assaz escapadiço, sobretudo quando posta em xeque, quando bolinada com o espeto da argúcia.



Há quem sustente que a Revolução Industrial, componente principal do Capitalismo, consumiu mais vidas (ou ao menos as inutilizou) do que a 2º Guerra Mundial; a réplica dos capitalistas é que as duas maiores expressões do socialismo do mal, Josef Stalin e Mao Tse-Tung, consumiram juntas 120 milhões de cabeças e pernas e sonhos, e tudo.



Muito menos do que regimes políticos, o próprio homem é o responsável, porque destinatário, pelos sucessos e fracassos de seus sistemas e da espécie de ciência que o governa. Se uma ideologia ceifa a vida de 120 milhões de pessoas em menos de um século é porque a conivência ou a fraqueza do organismo colaborou para o morticínio; o mesmo se dá com as máquinas cortadoras de mãos da Revolução Industrial; ao mesmo tempo em que elas dilaceravam, incutiam progresso e lucro nos membros que permaneciam inteiros, e a dor é o efeito colateral da prosperidade.



Distribuir partes iguais quando nem todos são iguais, é comunismo.


Distribuir partes diferentes a pessoas diferentes que usam suas capacidades pessoais para sobressaírem é capitalismo da melhor cepa. O drama é que as pessoas dotadas de “capacidade” não são exatamente o comum de que dispõe o RH da empresa Sociedade. E aí entram os desmandos. Como no caso da atual greve dos Correios. Pudera. Os diretores da companhia (estatal) receberam 20 mil reais de aumento; os carteiros, pelo menos em hipótese, figuras imprescindíveis à existência da corporação, receberam 400 reais. 19.600 reais. Se a diferença fosse ao menos menos extravagante...; eu juro, ia ficar quieto.



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A semana que passou foi particularmente cruel com as crianças do Estado de São Paulo; Matheus, de 10 anos, morreu num parque de diversão(?) em Itaqüera, caiu de um brinquedo. Gustavo, 15, caiu de um tobogã em Ibirá. Beatriz, 4, morreu ao ser atingida por um poste, derrubado por um ônibus, em Jundiaí. Todos acidentes, fatalidades.



O caso de Isabella, 5 aninhos, jogada do 6º do prédio onde morava é o que, em igual teor, mas diferente prisma, machuca, dilacera e lagrima, pelo quase evidente fato de que, diferente das outras três crianças que farão companhia a ela num céu, é que não foi o advento do fortuito que abreviou-lhe a vida efêmera, não podemos nem usar a peça de defesa/consolo do Eclesiastes de que “o tempo e o imprevisto sobrevêm a todos” (Eclesiastes 9:11); não, a pobre Isabella foi vítima de um covarde assassínio. Cometer uma atrocidade dessas com um ser indefeso me faz entender porque o Criador deplorou ter feito o homem, esse animal feroz, feito de esperma, crueldade e putrefação.




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