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Se o Papa Falasse a Língua dos Homens

O papa Benedito XVI foi o centro de uma estrondosa polêmica por declarações consideradas ofensivas ao Islã.



Joseph Ratziger é um intelectual na acepção pura do termo. Publicou mais de 40 livros, é fluente em várias línguas, mas parece não ser fluente na língua do nosso tempo.



Papa é papa.



No mundo hostil atual uma voz ecoosa como a de um papa deve e tem de ser medida.



Há alguns meses, charges do Profeta Maomé num jornal da Dinamarca causaram furor na comunidade islâmica.



A assertiva dele ao falar do Islã foi de natureza absolutamente acadêmica; creio improvável que alguma autoridade religiosa tenha alguma idéia de quem foi o imperador bizantino Manuel IIº, o Paleólogo (1391-1425), citado pelo papa e que causou toda essa procela:



“(...) todas as coisas que Maomé trouxe foram más e desumanas (...), como sua ordem para espalhar pelo medo da espada a fé que pregava".



Como o Islã respondeu à ofensa?, com promessas de atentados ao Vaticano; uma freira foi assassinada em Mogadício, na Somália.



Numa contenda entre um maestro e um escritor, o primeiro começou a falar mal dos escritores, dizendo que “qualquer um pode ser escritor”; velhotas aposentadas (...E o Vento Levou), sujeitos esquizofrênicos (O Apanhador no Campo de Centeio), ladrões (Jean Genet e Ronald Biggs, o do assalto ao trem pagador), agentes alfandegários (Kafka), mendigos, atletas, militares reformados, adolescentes perturbados, comerciantes. Todos escrevem livros.



O escritor pensou em contra-atacar falando mal de algum maestro, mas preferiu o silêncio. Devem existir maus maestros.



Alguns dos islâmicos que se sentiram ofendidos poderiam naturalmente apontar o dedo para as feridas da Igreja Católica como o Obscurantismo, a Santa (?) Inquisição, a vista grossa dela nas duas grandes guerras, seu gigantesco latifúndio, e uma coleção de outros descaminhos. Mas preferiu a intimidação. O ameaço.



Quando a fé extrapola a razão e é usada para legitimar atos de violência ela deixa de ser fé para se tornar um instrumento perigoso, que ensandece e desvirtua os homens.



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