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Se não Acredita em Mim, não Leia Este Texto



Aquiete-se. Deixe-se estar aí sentado. Não sorria. Não nada. Fique quieto. O que este seu interlocutor mudo vai lhe falar pela sua via ocular é muito sério; não é piada. Não é obra de nenhum satírico grego ou sertanista. Como naquela música do Gilliard que ninguém conhece, “Fique calada/ não diga nada”. Bem, se eu consegui aguçar sua curiosidade com este lengalenga não sei, mas que me deu tempo para eu raciocinar como contarei esse caso, ah, isso deu, e não me acusem de charlatanismo; não quero esgotar o estoque de sua paciência pois necessito dela e do seu carinho.



No dia 28/02/07, numa cidade mineira de não lembro o nome, (nem o Santo Google, ops, São Google conseguiu me ajudar) choveu peixe. Não, você não entendeu: choveu peixe. Não, não é figurativamente. É peixe mesmo, desses acode às urgências do nosso estômago, assim, caindo do céu feito chuva e dinheiro achado no chão. Choveu peixe. Caso você não tenha ouvido a notícia (eu a ouvi no rádio) não vai acreditar em mim, e o descrédito fará com que não queira comprar meu carro usado, que aliás está bem novinho; só tem pra fazer alguns retoques, coisa pouca.



A tradição bíblica diz, no Êxodo, que o maná, que significa literalmente “o que é isso” a saber que o povo não fazia mesmo a menor idéia do que santo (diabo não dá!) era aquilo, mas o enviava goela abaixo, caiu do céu para ajudar na missão de Moisés junto ao povo hebreu que com ele vagava pelo deserto, sem Carrefour, sem quitanda por perto, porque deserto que se preze, não tem esquina. Vamos lá. Maná eu aceito e topo, eram outros tempos em que, na carência de tecnologia, o Topo Poderoso (que é o cientista por trás da tecnologia da vida) dava uma forcinha para que alguns dos seus botassem uma fezinha Nele, fazendo com que a feira aparecesse em forma de flocos, do céu.



Um temporal é que causou o fenômeno da chuva de peixes, disse um meteorologista ouvido pelo radialista Heródoto Barbeiro. O “mini-ciclone” sugou das águas dos rios alguns peixes pequenos, os depositando nos telhados e na incredulidade das pessoas. Quando chove forte, os ingleses dizem que está chovendo “cats and dogs”, já os chineses ou japoneses dizem “toró” (leia “toró” bem rápido, porque o efeito dessa piada sem graça perde mais graça, quando escrita); os pessimistas dizem que chove canivete, quando a coisa fica preta (aliás porque “preta”, não podia ser lilás??).



Não sei, ainda olho para você que olha para mim e desconfio que você ainda desconfia da minha boa-fé. Amanhã, quando a notícia ganhar os jornais (ou seria o jornal que ganha a notícia? Problema difícil...) todos hão de me dar crédito; tempo em que eu os rejeitarei com afinco e esperarei calado, como um réu que crê na justiça divina e na sua inocência, até que da próxima vez não chova nem peixe, canivete, cães e gatos ou maná e sim umas gotas tempestuosas de fé.




Escrito por Alex Menezes às 23h11


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