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O Rei Momo da Discórdia


...Carnaval/desengano/ deixei a dor em casa me esperando/ e cantei e gritei e fui:/ vestido de rei/ quarta-feira/ sempre desce o pano...


Longe, mas muito longe de mim querer ser repetitivo. Perto, mas muito perto de mim querer abalar fundamentos inabaláveis, como a força gravitacional e o carnaval; até rimou. A conversa aqui não versa sobre verso, nem prosa; será uma conversa que altera a matéria e distorce a relatividade. Complicado, confuso, sem nexo? Vamos lá; coisas há que carecem de mais calor humano e equações do que supõe a nossa vã e deliciosa preguiça, como o pitoresco caso que envolve os reis momos do carnaval de Salvador e o Ministério Público daquele lugar que, garantem os mapas, ainda é Brasil.


Clarindo Silva, soteropolitano, 58 quilos, pode ter cassado o título que abocanhou, o de Rei Momo do Carnaval 2008; cataplawer!, não é que o homem foi considerado inapto para o prestigioso cargo pelos conspícuos membros do Ministério Público? Face a eficiência dos procuradores, vamos fazer engordar um presidente da República que sonegue a idoneidade que alardeia ter; quem sabe não esteja na balança e não na conduta a correção dos espíritos falhos?


A FEDERAÇÃO DOS CLUBES CARNAVESLOS DA BAHIA disse que a indicação de um rei momo esbelto representa a quebra de um paradigma, e defende o candidato eleito. Muito curioso. Imagine se, no cinema, enfiarem, em vez de um Batman alto, moreno, bonito, tez alva, o olhar pendendo para a soberba, colocarem um chinês, desses mirrados no tamanho, e gigantescos na porquice, iguais aos que vendem yakissoba na Av. Paulista? Calcule a eleição de um cardeal negro, anti-semita, homossexual declarado para ocupar o cargo de papa? E pior, e mais extravagante, porque exótico, pense num candidato a qualquer cargo eletivo no Brasil que seja simplesmente honesto e tenha aversão à sedução que emana dessa mulher, com nome masculino, chamada Erário?


Ignoro por absoluto as funções de um rei momo, como ignoro a necessidade do carnaval, exceto para as funerárias, mas não sou do ramo das funerárias; talvez ele faça muita diferença caso seja magro; caso seja vesgo ou peemedebista não há contra-indicação conhecida; não obstante, faço coro aos que querem proibir essa aberração, os foliões não podem ser achincalhados dessa forma, um rei momo magricela usurpando o lugar dum gorducho equivale, para o futuro do mito, à ineficácia de uma sogra samaritana. Aconselharia o Sr. Clarindo a se meter num regime de engorda, como ainda restam alguns dias para o êxtase da festa da carne, ele ainda pode acumular no esqueleto as arrobas necessárias para não decepcionar os festeiros e nem aporrinhar as autoridades civis.


... Era uma canção um só cordão uma vontade/ de beijar a mão de cada irmão/ pela cidade.../ no carnaval...



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