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O Mega Herói

O mega herói da Antiguidade era generoso; ao distribuir todos os despojos de guerra aos seus amigos, um deles perguntou: “Rei, o que guardas para ti?” e a reposta: “Minhas esperanças”. Estrategista sem igual, seu exército cobria 65 km diários no início da campanha na Ásia, mas passou a ficar lento demais porque os soldados carregavam os tesouros saqueados: para dar o exemplo, ateou fogo à carruagem real que levava toda a sua indumentária real, insígnias e presentes ficando só com a roupa do corpo. Emocionados com o gesto os soldados se desfizeram das riquezas e seguiram seu líder.



Na volta para a Babilônia, atravessando um deserto que nunca antes havia sido vencido e que ceifou a vida de milhares de seus soldados (fala-se em 60 mil homens) um dos companheiros trouxe para Alexandre num elmo ou numa bexiga de bode usada como cantil um pouco de água que havia achado, Alexandre exclamou: “Se meus amigos não podem beber, seu rei também não beberá, compartilho convosco o meu destino” e jogou a água na areia. Os soldados exultaram de júbilo.



Alexandre foi também o modelo de muitos lideres do futuro, conta-se que George Washington vagueou por toda Europa à procura de um busto original de Alexandre; Plutarco conta que Júlio César, em férias na Espanha, chorava copiosamente: perguntaram-lhe o motivo das lágrimas, a resposta: “Não vos parece digno de aflição pensar que na idade que ora tenho Alexandre já tinha um vasto império?” Otavio Augusto, após a tomada de Alexandria, expôs publicamente o corpo do grande Alexandre e demonstrou sua veneração depositando uma coroa de ouro na sua cova; tempos depois, o devasso Calígula violou a sepultura de Alexandre para roubar a armadura do mito e passou a usá-la em ocasiões solenes; outros imperadores fizeram o mesmo: Trajano, na volta de um campanha, escreveu ao Senado que tinha ido “mais longe do que Alexandre”. Todos queriam ser Alexandre.



Alexandre sonhava com a glória mítica de Aquiles. Superou enormemente seu herói. Aos 25 anos de idade, era o Senhor Absoluto do mundo então conhecido. Morto antes de completar 33 anos, penso que ele sonhava conquistar a Arábia e o mais ousado projeto: penetrar o reino da China.



Muitas são as lendas acerca do macedônio que viveu há 23 séculos e ainda hoje inspira escritores, historiadores e cineastas. Um artigo, um livro, uma vida, não esgota jamais a vida daquele que foi o maior Alexandre que já existiu.






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