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O Galo da Discórdia Judicial


Tenho devoção e especial apreço por alguns magistrados deste belo país. Veja isto:


“Parece piada, mas não é. Há poucas semanas, a juíza Mônica Machado, da comarca de Paracambi, cidade do Rio de Janeiro, produziu uma sentença na qual destila seu ódio pessoal a um galo que cantarolou numa madrugada, perturbando seu sono. Na sentença, a juíza detalha seu infortúnio, informa que o galo cantou "ininterruptamente das 2h às 4h30 da madrugada" e diz que tal fato lhe causou "perplexidade, já que aves não cantam na escuridão, com exceção das corujas."


Em seguida, ainda no corpo da sentença, a juíza diz que tentou descobrir em que casa da vizinhança vivia "o tal galo esquizofrênico", mas não conseguiu. E então decide: como o processo que deveria analisar envolve uma briga de vizinhos acerca de um galo que canta à noite, a magistrada passou a desconfiar que se tratava do mesmo galo que lhe perturbou – e, com isso, declara-se impedida de julgar o assunto. Ela explica: "Considerando que esta magistrada nutre um sentimento de aversão ao referido galo, e, se dependesse de sua vontade, o galo já teria virado canja há muito tempo, não há como apreciar o pedido com imparcialidade".


Galos, diferentes de juízes, são assim mesmo, bichos insolentes. Pedro também quis fazer canja (será que fez?) daquele galo que confirmou o vaticínio do Cristo: “antes de cantar o galo, repudiar-me-á três vezes” (Mat. 26:75). Canja por canja, eu prefiro a de galinha, que deve ser mais suave; mas o que gostaria mesmo era de fazer canja com a toga dalguns juízes --- o que não deve caracterizar desacato, uma vez que suas capas não absorvem seus privilégios personalíssimos de autoridade judicial.


O mundo anda em grau de estresse e isso tem afetado os tribunais e seus membros, não há dúvida. Noutro caso escandaloso, um juiz deu a sentença, condenou o polo passivo da ação antes de... julgar o mérito, sem sequer receber a defesa do réu! Inédito! Tem também o caso do desembargador, pilhado na Operação Furacão da PF, que criou outro ineditismo teratológico (monstruoso): concedeu uma liminar (que é uma decisão urgente para evitar perdas para uma das partes antes que o mérito da causa seja julgada) a favor para um recurso que ainda nem existia!


Desisti de querer salvar o mundo. O jeito é chamar um Salvador interplanetário para nos ajudar, e tenho até uma boa notícia para você-nós: pesquisadores descobriram um mineral semelhante à criptonita na Bulgária, ontem (25/04); é o primeiro passo, agora só falta encontrar o Super-Homem, que, não sendo bobo, permanece escondido --- imaginem o que não ia ter de super aborrecimentos esse rapaz.




Escrito por Alex Menezes, às 23h49.


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