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O Destino do Ursinho Alemão



Knut ainda não foi apresentado ao público – o que vai acontecer ainda antes da Páscoa – mas já é o queridinho dos berlinenses, que o conhecem apenas por fotos e vídeos. Knut formava par com outro filhote e veio ao mundo em dezembro de 2006. A ursa polar não quis saber dos dois filhotes. Enquanto um deles morreu, Knut foi criado com mamadeira por um tratador de animais e tem tudo para se tornar o mais novo mascote da capital alemã.


Romário quer fazer, com mais 2 gols, 1000, quando “só” fez até agora 912. Bagdá arde diariamente, deve ser o lugar mais populoso no mundo; todos os dias morrem trocentos bagdalis para no dia seguinte outros acordarem para morrer; fosse eu um deles, continuaria dormindo, que é também um modo interino de morrer, só que sem dor. Que mais de relevante tem acontecido neste globo quadrado? Enumerar as tragédias é brincadeira; não é escassa a vez em que penso que Deus está de férias; amigo, quando o Homem resolver voltar e ver a zorra que isso aqui está, sai de baixo...



Bom, tem uma turma de ambientalistas alemães, alemães da Alemanha, frise-se, que querem porque querem dar fim à vida do ursinho Knut, o fofo bichinho caiu nas desgraças dos seus ex-óbvios protetores porque estes julgaram que ele, nascido no Zôo e rejeitado pela mamãe ursa, se “habituou demais aos carinhos humanos” e por essa razão teria seus “direitos desrespeitados”. “A criação por seres humanos é ilegal e desrespeita a lei de proteção aos animais”, disse um simpático ativista ambiental. Espero que Deus demore mais um bocadinho nas suas férias que já duram desde o assassínio de Caim; opa, de Abel, eu cometendo esses crassos erros, Ele volta antes da hora.



Eu juro com os dois corações que possuo (um para a tragédia, outro para a comédia, o mais usado), que gostaria de entender esse mundo e as peças difíceis que o compõe. Se o ursinho fosse esmagado pela pata anônima ou pelo fuzil igualmente desconhecido de um caçador, os ativistas silenciariam porque o alcance do olho humano (mesmo o olho dum ativista) não contém todos os sets desse filme que é a nossa vida e suas ações imprevistas.



Já adverti noutra feita que tudo pede uma certa elevação. Enquanto ruminava a nascença desse texto, perscrutei com pureza de sentimento os motivos, à primeira análise obscuros, desses abnegados homens que lutam pela preservação do meio e às vezes do inteiro ambiente. A conclusão está aprisionada no parágrafo abaixo:


A razão é: criado pelos humanos, o bichinho corre sério risco de absorver seus estranhos hábitos, quais sejam, os de matar sem ter fome para matar, incendiar semelhantes vivos por diversão e outras iguarias que transformam a nossa espécie tão acima das demais na escala do reino animal. Daí vem o motivo de querer que o belo Knut seja sacrificado, antes que se torne um autêntico homem-urso. PS: se o Criador de fato estiver em férias nalguma constelação, suspeito que seja na Ursa, a Maior...




Escrito por Alex Menezes às 00h26


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