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Indócil Mel


O ator australiano Honey Gibson, ops, Mel Gibson trocou os sets de filmagem pelos sets da delegacia. Foi pego dirigindo embriagado. Até aí, tudo bem, álcool e volante é um casamento perfeito entre extremos.


O detalhe capital de sua estada na casa do delegado, ops de novo, do cherife (fica estranho com ch, não?) foi o que disse o ator. Atores gostam de falar; é o seu ofício. Mas falar o que falou o doce Mel...


"Você é judeu?" - perguntou ele ao sub-cherife que o deteve.


"Os judeus são os responsáveis por todas as guerras no mundo", emendou depois, a voz vacilante.


Na série de pedidos de desculpas que ele deu semanas depois, já gozando dalguma sobriedade, considerou assim suas palavras: "Foram palavras desprezíveis". E a pérola da desfaçatez: "Essas declarações que eu fiz não são verdadeiras".


Face a tal desculpa e indo mal sua carreira de ator, pode vir a ser político. E mais: "Estou no processo de entender de onde vieram essas palavras malévolas durante aquela demonstração de embriaguez". Agora, pode se candidatar a uma cadeira no quadro dos maus advogados que assessoram ou aconselham os bandidos a bandidar dentro da lei.


O mistério agora é saber, já que o ator não sabe, de onde vieram tais palavras; ele diz que a culpa é do álcool, que não estava dentro dele tais admoestações contra os judeus e também os elogios que fez aos atributos anatômicos da agente que o flagrou na rua.


No seu conceito, a culpa não é dele. Lógico, sempre há um culpado. Ele errou. Errar é humano. Colocar a culpa nos outros então, nem se fala. Veja o exemplo do paraíso. Quando Deus perguntou a Adão porque ele comeu do fruto proibido, se seguiu uma quadrilha, semelhante àquela do Drummond: Adão culpou a Eva que culpou a serpente que olhou em volta e, não tendo a quem culpar (ia ser um pouco ridículo culpar a árvore onde estava serpenteada), culpou a Deus que, na opinião dela, não tinha nada que criar homem nem paraíso.


Uma expressão latina, in vino in veritas, diz isso mesmo, "com o vinho vem a verdade"; no caso de Gibson, a "verdade" já estava nele, a bebida foi apenas o veículo de a transpor para fora dos limites da sua consciência.




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