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Incêndios

Há um filme de produção franco-canadense (amo adjetivos pátrios), do diretor Denis Villeneuve, que se encaixa no perfil de filme-vida, filme-haja-espírito, filme-o-mundo-não-vale-a-pena, filme demais! É tão filme, tão sanguíneo em sua história Greco-Atual, que nem merece uma análise, merece um suspiro.


Incêndios (2010) traz a gênese da magia que aproxima o brutal do afável, o cruel do inconcebível, dessas obras que expõem as vísceras das vísceras.


Nawal é uma militante política que vive nalgum momento dos anos 70 no oriente médio, e, à gelosia da morte, deixa um testamento com pedidos invulgares para os dois filhos gêmeos, Jeanne e Simon, que para cumprir os derradeiros desejos da mãe, passam a viver uma epopeia que Sófocles ou Aristófanes assinaria com o sangue que flui dos dedos da imaginação.


O filme tem tanto a ver com a morte, que despreza os efeitos da vida, vez que a vida precisa continuar com seus distúrbios, e a morte, se há um mérito na morte, faz cessar as desgraças que a existência produz continuamente.


Ao desenrolar o novelo confeccionado a duras penas pela mãe, os dois irmãos passam a encontrar no passado dela, e na concepção amarga de suas ações, as chagas dos passados que, por mais que estejam sepultos, querem devassar as vidas futuras, fazendo-as sangrar.


C´es fini.


Vá ao videoclube, loque o filme e descubra o que eu não consegui aqui reproduzir.

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