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Do Seqüestro Relâmpago

O Brasil é um dos países mais avançados do mundo quando o assunto é tecnologia criminal. Se acaso desconfiar que o parágrafo acima está curto não é por escassez de palavras ou inspiração, é por ostentação de estilo; quero que leia isto de relâmpago. O Direito Penal ainda não tipificou o crime por uma questão teórica ou burocrática, não sei bem. O legal é que enquanto morre-se, discute-se, até um consenso que custa a vir. Pessoas de outros pedaços da terra que aportam aqui e ouvem relatos dessa modalidade de crime se espantam com a criatividade dos ladrões e custa explicar a eles que isso é o nobless oblige da bandidagem; como ratos que são obrigados a mudar sua dieta por conta às vezes da pobreza do homem que o hospeda, mas essa imagem ficou horrorosa; ninguém quer hospedar ratos, mas ratos hospedam-se nas casas e nas mentes; prefiro comparar com os cometas que são como estrelas rebeldes que se descolam dos céus e vagam pela sidereza do espaço em busca de uma vítima ou de uma aventura: não ficou bom também. A chique expressão francesa é aqui posta para enganar, é claro; a imagem de cometas, estrelas e outros corpos é uma fraude. A nobreza obriga. Deve ser nobre tanto ao bandido ter de sobreviver variando suas téc- nicas e inovar no seu ofício ou ao rato que precisa da vida para sobreviver. Pleonasmo, tautologia, redundância? Fica claro que você não é uma alma contemplativa caso tenha farejado um subir para cima só um pouco mais poético; é certo que a poesia tem o poder de lustrar um espírito ou uma idéia medíocres, mas o tema aqui são crimes e não poetas, prestígio ou engodo. Calhou d´eu pensar que o seqüestro relâmpago não foi batizado assim por similaridade com o ato em si; a volta no quarteirão, dispensa em minutos da vítima; não, o seqüestro fica relâmpago porque quando o ladrão, no auge do expediente, mata o seqüestrado, risca a vida de um inocente, como o relâmpago risca o céu na escuridão, mesmo naquela escuridão clara, quando acionado em plena luz do... do? “$” Escrito por Alex Menezes às 21h52

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