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Da Inutilidade Útil






Estava louco para escrever um texto sério hoje. Sei lá. Não me ocorre nada bastante sério por agora... a morte é um troço sério, mas também a considero engraçada, sobretudo quando atinge uma peçonha qualquer que aborreça a mim ou a nação. A morte não é, por exemplo, tão séria quanto morrer. Morre-se de rir e continua-se vivo. Mas a morte do riso já dá um tom cadavérico à fala e a este texto.


Pense em algo inútil. Pensou? Descarte. O Senado não vale. Mesmo a sogra está fora, não admito; é uma invenção útil e até delicada. Não consigo pensar em nada mais inútil, algo que mais simbolize o inútil na sua essência quanto aquele botão para pedestres que fica no poste das ruas de grande parte das cidades brasileiras. Se alguém algum dia o apertou e ele imediatamente fez o farol/sinal abrir eu mudo de nacionalidade ou ao menos de CPF, que dá menos trabalho e mais prestígio econômico.


Não abre. O pior é que, pode prestar atenção, tem gente que continua a apertar o botão na esperança que funcione, talvez por atavismo, por hereditariedade, essas coisas. A criança cresce vendo os pais apertando o miserável do botão. Vê apertar, mas não vê funcionar. Mas não importa; tudo são costumes, tradições. O sujeito às vezes o aperta por impulso, já livre da agonia, da esperança. Aperta e continua conversando, se estiver acompanhado, não se importando que o caminho se mostre livre em forma de luz verde. Aperta e só.


Isso deve remontar às Arábias, aquelas bandas, quando se compravam lâmpadas esperando que ela contivesse no interior em vez de vácuo, um gênio. Num tempo em que o petróleo ainda não era útil nem para guerras nem para lucros. Parece que milhares de lâmpadas foram vendidas em Bagdá. O próprio Pica-Pau andou comprando umas do Zeca Urubu. Logo o Pica Pau, símbolo máximo da astúcia, artífice do ardil, da malandragem, o provável professor dos picaretas do senado brasileiro, logo ele, caiu no golpe da lâmpada.


O botão das ruas é a nossa lâmpada moderna. É posto ali para enganar sim, mas se não é útil para o fim que se supunha, já se transformou em instituição também; se funciona ou não é outra história que não cabe discutir aqui nem alhures; tem um balde de outras coisas que não funcionam direito e nem por isso perdemos o nosso sono ou a classe. Boa noite para vocês; já é quase a hora de começar Os Simpsons.




Escrito por Alex Menezes às 23h32


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