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Compramos um Zoológico


Fui ver COMPRAMOS UM ZOOLÓGICO, do diretor Cameron Crowe, e saí da sala escura com a sensação de que a vida, apesar da insistência da morte, ainda vale alguma pena.


Benjamin é pai de dois filhos pequenos e está em pleno luto pela morte da esposa, e procurando extirpar de si a dor, resolve dar uma guinada na vida, saindo da cidade e comprando uma propriedade que abriga um zoológico desativado, porém com os bichos ativados pela vida.


A atividade nova para Benjamin serve para saudavelmente emular a dor da perda, e ela, dor, logo cede à concorrência: o desafio de desbravar o desconhecido demole tijolo a tijolo as ruínas causadas pela ausência.


A infecção que uma perda causa serve para modificar alguma incerteza que prometemos ter dentro de nós, e é desta forma que Benjamin enfrenta o plano audacioso: sem dinheiro, sem conhecimento de causa, sem apoio, exceto o da filha, a encantadora Elle Fanning, que não é uma criancinha linda, é simplesmente mais do que isso, muito mais.


Os conflitos que ele passa a administrar, primeiro com o filho rebelde que não aceita a morte da mãe e se refugia numa espécie de submundo escuro e deprimente, conforme mostra seus desenhos viscerais, é apenas a ponta de um iceberg que se mostrará pequeno, diante do que está porvir.


A lembrança da esposa o persegue a tal ponto que ele se sente oprimido pela presença espectral dela, que mesmo morta, lhe concede uma fatura em forma de um seguro que havia feito sem o conhecimento dele, o que salva sua empreitada com o empreendimento que salvará a si e a família.


O filme trata de como podemos lidar com a perda de alguém querido, que nos inspira, nos ama ou, simplesmente, apenas existe, e com o cujo desaparecimento dificilmente sabemos solucionar com habilidade. A lição fortalece, mas não diminui a dor, apenas anestesia, e como diria meu saudoso amigo Daniel Piza sobre o comentário usual que se recebe quando perdemos alguém, “é a vida”: para ela não era, “é a morte, é a morte”.


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