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Carlitos, Platão e a Leitora

Todo mundo quer o que não se pode ter. O estadista inglês Thomas More pensou o impossível. Queria construir a “cidade ideal”. A que deu o nome de Utopia. Sim, a famosa palavra que a gente usa para tudo. Nesta cidade tudo era um charme. Médicos. Professores. Trabalho 6 horas por dia. Igualdade para todos. Naturalmente, como tudo criado pelo homem, tinha lá seus inconvenientes.



Todos tinham de amar a terra, pois seriam obrigados a dedicar 2 anos de vida para o “campo”. Todos deviam se vestir de preto. Sem bens de consumo. Uma vez por mês as esposas tinham de pedir perdão ao marido. Cometesse ou não sacrilégios. Um lugar dos sonhos. As relações sexuais pré-conjugais, por exemplo, eram punidas com o celibato por toda a vida. Aceita-se imigrantes. O adultério era castigado com a escravidão. Ainda topa? E, tal qual o livro do George Orwell, “1984” alguém vigiava se todos se comportavam bem.



Já Platão com seu cérebro e plato gigantes, queria uma cidade com “reis-filósofos”; seria uma elite em que o exército e depois os cidadãos comuns seriam a base. A mobilidade social neste lugar seria pior que a do Sudão; os que utilizavam a mente, não utilizavam as mãos para nada. Quer dizer, quase nada. Quem fosse operário, ainda que com todos os dedos da mão e do pé, se aposentaria operário; em outros lugares operários viram dirigentes, o que mostra que o Brasil não é um lugar tão mal assim como dizem por aí e por aqui também. Havia censura para tudo, música, literatura, era tudo proibido. Essas coisas desvirtuam os homens. A família seria substituída por internatos do Estado. Ninguém se casava; todos apenas “procriavam” e isso quando necessário. Se você tiver tempo e calor humano pode conferir; tudo isto está lá, no livro “República”. Passo.



Muito bem. O homem é essa coisa extraordinária que nós conhecemos. Alguns são sagazes como esse More e esse Platão. Todavia, porquanto, porém, entretanto, entrementes, neste ínterim, (já o aborreci, leitor?), contudo, o ato de maior sagacidade de que tive notícia foi o do Charles Chaplin. Aquele cuja filha disse que quando dizia que era filha dele era como dizer que era filha do Mickey Mouse. Curioso dos infindos concursos que existiam para “o melhor sósia do Carlitos” ele resolveu se candidatar. Deu o melhor de si. Em pleno palco atuou como se estivesse refilmando “O Grande Ditador”, os trejeitos, a bengala, e os jurados lá, anotando tudo. Dizem as más línguas que só há uma coisa pior que ser jurado de TV: ser jurado de morte.



Chaplin ficou em terceiro lugar. O jeito é ter fé no homem, igual tem a nossa assídua leitora Rosângela, que apesar de todos os muitos absurdos do mundo, continua firme na sua grande fé. Parabéns.

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